Quando se trata de internet e redes sociais, a polêmica de hoje suplanta o burburinho de ontem, certo? Errado! Um grupo de mulheres que lutam pela causa dos negros no Brasil resolveu mostrar que esta máxima não tem sido seguida à risca.

Dispostas a não deixar os ataques racistas direcionados à jornalista Maria Júlia Coutinho, a Maju do Jornal Nacional, ocorridos no início de julho, morrerem no imaginário popular, a ONG Criola iniciou uma campanha no mínimo inusitada: está espalhando outdoors por todo o país com "prints" dos comentários maldosos publicados no Facebook.

As primeiras cidades a receberem os outdoors foram Americana (SP) e Feira de Santana, na Bahia (fotos).

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Em Recife, a comunicação está sendo feita em um ônibus. A ONG teve o cuidado de rastrear as páginas dos usuários para verificar quais eram de pessoas reais e quais eram ‘fakes’, utilizando, portanto, apenas as publicações onde os internautas “deram a cara a bater”. A identidade das pessoas, contudo, não está sendo mostrada.

Um dia é da fera, outro é da bela?

De forma bastante elegante, vestida de vermelho - talvez para mostrar toda sua força, talvez para variar mesmo em seu belo figurino - a garota do tempo do JN declarou na época que não estava abalada, que já lida com o preconceito racial há bastante tempo e agradeceu o apoio do público.

"Mas, é óbvio que isso mexe com qualquer um", comenta Fernando Borges, especialista em cobertura de assuntos relacionados à celebridades e #Televisão.

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Para ele, chegou a vez dos racistas se sentirem envergonhados. "A resposta está nas ruas: em Americana, em Feira de Santana. E vem mais por aí", declara em nota a ONG Criola, nascida em 2002, para defender e promover os “direitos das mulheres negras em uma perspectiva integrada e transversal".

Internautas reclamam a não identificação dos agressores

O mote da campanha é “Racismo virtual. As consequências são reais”. E a internet, como se diz, não perdoa: em todos os posts relacionados à campanha nas fanpages dos veículos de comunicação que repercutiram a iniciativa, há inúmeras pessoas dizendo que as fotografias e o nome dos agressores deveriam ser explicitadas. 

Para Jurema Werneck, fundadora da Criola, identificar os agressores poderia levar a uma “caça às bruxas”. Em entrevista à Folha de S. Paulo, a ativista disse que o objetivo é “continuar dizendo que isso [a discriminação racial] não será aceito”.

Maju prefere o silêncio

A jornalista Maria Júlia Coutinho, ao que parece, não irá se manifestar sobre a campanha.

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Questionada pela Blasting News, até o momento do fechamento desta reportagem ela não respondeu. Também não há menções sobre o assunto em suas redes sociais, onde é bastante ativa.

“Eu a entendo, provavelmente não quer parecer que está tirando proveito desta situação. Isso mostra o quanto ela é superior. E nós, somos todos Maju!”, acrescenta o jornalista Fernando Borges.

De acordo com a Safernet, ONG especializada em investigar e prevenir crimes virtuais, mais de 86 mil casos de discriminação contra negros foram relatados em 17 mil sites no Brasil em 2014.

Você sabia que Maju Coutinho é só mais uma entre as milhares de vítimas? O que você achou desta campanha? Deixe seu comentário! #Famosos