Alvo da polêmica mais falada da semana, o integrante da banda Fly, Caíque Gama se complica mais a cada declaração que dá em suas redes sociais. Isso fez com que o cantor trancasse seu perfil no Instagram e no Twitter - dessa forma apenas os seus seguidores podem ler e ver o que ele publica - e com que o representante e assessor da banda se pronunciasse sobre o caso. 

Segundo a Assessoria da banda Fly, Caíque está pagando e sendo exposto por uma brincadeira. Marcus Cesar, o assessor se refere a declaração que o cantor fez na edição 245, da revista teen Atrevida, que foi veiculada em janeiro deste ano. Na entrevista, ao ser perguntado sobre tranças Caíque Gama diz: "É bonito para quem tem cabelo ruim, é uma salvação".

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Para o jovem de 20 anos, falar de cabelo ruim não é racismo. Racismo para ele é pessoas entrarem em suas redes sociais e o chamarem de "branquelo azedo". Caíque Gama esquece que os negros vem buscando há mais de 125 anos uma representatividade e a valorização da identidade que as pessoas tentam desconstruir todos os dias com comentários e "brincadeiras" como a dele. 

Recentemente a revista TPM fez uma edição que falava sobre as dificuldades de ser negro e se entender como negro em um país como o Brasil. E a cada declaração como a de Caíque vemos que é muito mais difícil do que parece. As pessoas precisam entender que usar tranças não é sinônimo de falta de higiene, que um cabelo black power não precisa ser tocado por um estranho a cada esquina, e um negro não é mais perigoso porque decidiu sair às ruas com casaco de capuz.

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Infelizmente, Caíque Gama não é o único a pensar dessa maneira, mas ele falou abertamente sobre o que pensa em uma revista de alcance nacional, ao contrário de outros de disseminam suas ideias e pensamentos racistas na sua casa, sua escola, seu trabalho e seu bairro. 

Larissa é uma adolescente negra e fã da banda que saiu em defesa do ser humano e não de seu ídolo, segundo ela. Para Larissa, as pessoas que se sentiram ofendidas com a declaração de Caíque estão se vitimizando, pois em nenhum momento ele relacionou o cabelo ruim com pessoas negras. A moradora de São Paulo disse em entrevista que o cantor sempre elogiou seu cabelo black power, suas tranças e turbantes. Larissa tem o mesmo discurso do cantor, de sua assessoria e da própria revista Atrevida.

Em contrapartida, uma outra paulistana de 17 anos não conseguiu se calar ao ver um print da declaração de cantor em um grupo do Facebook sobre tranças e mulheres negras. Nathalia Barbosa compartilhou a imagem com seus amigos sem saber que Caíque fazia parte de uma banda famosa entre adolescentes, ela repassou a imagem por não aceitar que discursos como esse sejam disseminados. 

Nathalia usa trança desde pequena, mas só soube a importância do seu penteado para sua identidade como mulher negra no ano passado quando começou a participar da militância negra.

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Cursando direito na Faculdade de Direito de Franca, em São Paulo, ela vê como ingenuidade posturas como a de Larissa e de outros fãs que defendem a fala de Caíque e usam montagens do jovens com pessoas negras para mostrar que de racista ele não tem nada.

"São meninas novas influenciadas por uma mídia que dita o branco como padrão em uma sociedade que o branco dita o que ele quer. São crianças e adolescentes que constroem seus gostos e personalidade a partir daquilo que veem em evidência.  Não é que elas não assumam a negritude porque não querem, mas porque não entendem o que é essa representatividade e a importância dela." 

Os rappers Emicida e Karol Conka também se manifestaram. A cantora fez um vídeo mandando o jovem calar a boca e o Emicida publicou uma foto em sua conta oficial do Instagram com uma legenda em resposta a polêmica: "Cabelo ruim? Nada, ele é bonzão. Ruim é ter que explicar para esses ‘peida na farofa’ racista que o nome dele é crespo há cinco séculos".  #Famosos #Música