Antes de analisar a recente crise das #Novelas noturnas da Rede Globo e ascensão da Rede Record, através do folhetim "Os Dez Mandamentos", é importante tecer algumas considerações a respeito dos aspectos técnicos de cenografia e técnicas de captação de imagens destas produções para, depois, abordar sobre os enredos. 

Ambientação: cenografias e locações das tramas atuais

A Globo não muda. Entra novela e sai novela, as cenas estão sempre do mesmo padrão: cenas gravadas em sala, quarto, escritórios e, às vezes na rua, com eventuais cenas no trânsito. São sempre novelas urbanas. As locações são ambientes no Rio de Janeiro e em São Paulo.

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Aqui já começa a primeira revolução da Record, a quebra do “lugar comum” no qual a Globo, como líder absoluta de audiência, se acomodou.

O folhetim “Os Dez Mandamentos” oferece riqueza de cenários e ambientes reais, transportando o telespectador para remota antiguidade, conseguindo, dentro de certos limites (não é produção de Hollywood) mostrar ambientes exóticos, usando enquadramentos, focos e luz maravilhosos, inesperados, convertendo a novela em uma experiência de TV de alta definição que, ao contrário das novelas da Globo, consegue explorar o padrão digital para uma festa de cores, detalhes e paisagens.

Enredo e Roteiro das recentes produções

A Globo insiste em outro lugar comum: entra novela e sai novela, em uma ideia fixa: dinheiro, golpes, traição, assassinatos, sexo fácil e farto.

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As histórias mudam muito pouco e os enredos praticamente são os mesmos.

Em São Paulo, onde a novela “Babilônia” foi repudiada, logo nos primeiros capítulos, as conversas de metrô, shopping, ruas foram: "a gente sofre no trabalho, em casa, no trânsito, vê violência nos jornais, que noticiam fraldes, homicídios, estupros, golpes e injustiças. Enfrentamos um trânsito caótico, todos os dias, estresse o dia todo e chegamos em casa, para relaxar ligamos a TV, e tudo aquilo que nos aterrorizou durante o dia, na vida real, é devolvido para nossas cabeças na novela”.

Os diretores e autores preferiram culpar o público do que engolir uma verdade amarga: falta criatividade, inovação e sintonia com as apreensões da população. O óbvio já foi percebido pela Record e é um preceito muito comum no mundo do rádio e da TV: a “magia”.

TV aberta x Conteúdo Digital

No geral, a TV aberta vai ter que se reinventar. A Globo não perdeu seus 40, 50 ou 60 pontos de IBOPE (auges de medição nos anos 70,80 e 90) apenas para a Record.

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O rateio foi também para as TV's a cabo, jogos, Blue-Ray e, principalmente , para as redes sociais, que estão fulminando a relação do público com as TV's em geral.

A tendência é que os telejornais deixem de ser meros produtos noticiosos. Você já tem, à exaustão, durante o dia, cobertura de eventos que chegam batidos e velhos nos telejornais. Eles devem adotar o padrão "análise dos fatos do dia", recorrendo à pequenos documentários e debates, se não a internet vai fulminar o modelo tradicional de telejornal.

No âmbito da dramaturgia, novelas de épocas ou com ficção científica (com apelo histórico e cultural bem distinto do cotidiano) vão ter que suceder esse modelo artístico batido da Globo e que a Record já percebeu estar destinado a falir.

São ciclos da vida, a TV aberta, convivendo com conteúdos digitais, se assemelha ao rádio AM, que teve que abrir mão do que foi, no seu auge, para se adaptar a sua nova realidade e sobreviver à TV, nos idos dos anos 60. #Opinião