A peça de #Teatro acabou e a última cortina se fecha: hoje, 05 de dezembro, uma das maiores atrizes do Brasil fez seu último papel. Marília Pêra fechou os olhos para sempre. A atriz andava desaparecida do meio artístico nas últimas semanas devido a um câncer de pulmão e ossos. Ela estava se tratando de um desgaste dos ossos na região lombar. A atriz morreu em casa ao lado da família.

O cunhado, Guto Graça Mello, recorda que Marília estava muito doente há algum tempo. Ele e a esposa, Sylvia Massari, acompanhavam o estado de saúde da atriz. Guto afirmou que nos últimos dias a artista não queria ver ninguém.

Uma de suas últimas aparições públicas foi em agosto de 2015, quando recebeu uma grande homenagem do Festival de Cinema de Gramado (RS) - o Troféu Oscarito.

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Lá, teve a alegre surpresa de ver os três filhos, Ricardo, Nina e Esperança, que viajaram do Rio de Janeiro sem ela saber.

O trabalho mais recente de Marília está no cinema, onde atua como narradora no filme “Chico – Artista Brasileiro”.  Na TV, podia ser vista na minissérie “Pé na Cova”, junto com o ator Miguel Falabella. Mas, no ano passado, foi obrigada a se afastar das gravações, ela voltou neste ano. Segundo fontes, há material inédito com a atriz a ser exibido pela TV Globo.

O velório de seu corpo será no Teatro Leblon, a partir das 13h, e o enterro às 16h, no Cemitério São João Batista, na zona sul do Rio.

VIAJANDO SOBRE SUA VIDA E SUA TRAJETÓRIA

Marília Pêra era uma artista completa: sua versatilidade e talento eram notórios; pois, era cantora, produtora, bailarina, coreógrafa e diretora.

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Sua vontade e paixão por representar se mostram nos números: 28 filmes, 38 novelas e minisséries e 56 espetáculos teatrais, divididos entre comédia, drama e musical.

Marília interpretou nada mais, nada menos, que Carmem Miranda, Maria Callas (considerada a maior cantora lírica), Dalva de Oliveira e a estilista francesa Coco Chanel. Em 2005, Marília Pêra encenou “Mademoiselle Chanel” em Paris, arrancando grandes elogios da crítica francesa; e foi aplaudida de pé pelo público do teatro em todas as suas apresentações.

Carioca do bairro de Rio Comprido, Marília contava que sua primeira aparição nos palcos foi com 19 dias de vida. Com quatro anos de idade, já encarava a tragédia grega “Medeia”, de Eurípedes. Natural para alguém que vinha de uma família de tios, pais e avôs habituados com o tablado.

Entre os autores, peças e produções televisivas, a artista representou “Roda Viva” de Chico Buarque, “A Megera Domada” de Shakespeare, “A Moreninha” de Joaquim Manuel de Macedo, “O Barbeiro de Sevilha” de Beaumarchais e por aí vai.

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Na #Televisão, participou das séries “Os Maias” e “O Primo Basílio”, ambos de Eça de Queirós e das novelas “Malu Mulher”, “Brega e Chique”, “Rainha da Sucata” e “Mandacaru”. No cinema, sua maior glória foi viver a prostituta Sueli em “Pixote – a Lei do mais fraco”, de Hector Babenco. Com esse filme, despertou o interesse dos produtores internacionais.

Mais tarde, ela declarou: “Não sou empreendedora, no sentido de articular minha carreira. Sempre quis fazer sucesso, claro. Mas, passada a agitação pós-Pixote, era preciso ir atrás para construir algo lá fora, e eu nunca levei isso ao pé da letra. Havia possibilidade de fazer teatro nos EUA. Mas é complicado, tem muita concorrência, e até hoje meu inglês não é fluente. Lembro de ter ficado com medo, inclusive. Então, não me arrependo. A gente faz escolhas, e eu fiz as minhas”.

Apesar de ser uma personalidade pública, Marília sempre fazia questão de manter a discrição sobre sua vida privada. #Famosos