O lendário Iggy Pop iniciou, no início desta semana, aquela que pode ser sua última turnê. O artista subiu ao palco do Moody Theater, em Austin, ao lado de seu novo parceiro, o líder do Queens Of The Stone Age, Josh Homme e de uma banda formada pelo guitarrista e tecladista Dean Fertita, pelo guitarrista Troy Van Leeuwen (ambos também do Queens Of The Stone Age), do baterista Matt Helders (dos Arctic Monkeys) e do baixista Matt Sweeney (dos Chavez). No repertório, as músicas do novo CD, “Post Pop Depression”, lançado hoje, dia 18, além de clássicos de dois dos seus discos mais cultuados, “The Idiot” e “Lust for Life”, lançados em 1977 e produzidos por David Bowie.

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Na cena, o mesmo Iggy Pop de sempre: agitado, descamisado e enrugado. Um misto de esquisitice e rebeldia que deu novo significado à palavra “punk” nos anos 70, termo que já era usado por William Shakespeare para se referir às prostitutas londrinas, no final do século 16.

Aos 68 anos, Iggy Pop direciona sua revolta ao inevitável, o declínio e a morte. E faz isso bem à sua maneira, se despindo de tudo – a apresentação da última terça-feira transcorreu comportadamente até a sétima #Música, “Funtime”, quando o cantor entoou seu refrão, “I just do what I want to do” ou “Eu só vou fazer o que eu quero” e o caldo entornou. Ao desfile insurgente de Iggy Pop se contrapõe o grupo vestido com smokings estilizados, que observa atentamente a performance do mito.

Iggy Pop se contorceu e gritou, levou a plateia à loucura como quem se impõe diante de um fim iminente.

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“German Days”, a única música inédita do show, homenageia o amigo Bowie, mas sem nostalgia – pelo contrário, nela se destacam os riffs de Homme. Não é, exatamente, um CD do “The Stooges”, muito menos um álbum com as pretensões de “Lullabies To Paralyze”, do Queens Of The Stone Age, mas Pop e Homme se completam de alguma forma e isso dá unidade ao trabalho.

A turnê já tem 19 datas fechadas até meados de maio. A perna norte-americana terá 13 apresentações em Seattle, San Francisco, Chicago, Nova Iorque, Miami e Los Angeles, entre outras cidades. Os primeiros shows no Velho Continente acontecem na Suécia, Dinamarca, Alemanha, Holanda, Inglaterra e França. A vinda da “Post Pop Depression Tour” ao Brasil está condicionada a um grande festival e, se isso realmente acontecer, o mais provável é que a trupe desembarque por aqui no ano que vem.

Homme nunca escondeu sua admiração por Iggy Pop e, em entrevista ao “The Late Show with Stephen Colbert”, disse que foi uma “experiência fantástica compor com ele”.

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Já Pop, se mostrou um cara conectado ao mundo digital: “Eu o convidei para tocarmos juntos por uma mensagem de texto, que enviei de meu smartphone”, disse o veterano. “Disse a ele para escrevermos e gravarmos umas canções e guardá-las, mas mesmo trabalhando em segredo, acabamos optando pelo lançamento”.

Sem esconder nada em cena, Iggy Pop e Josh Homme formam uma dupla diferentona e ao mesmo tempo, um par clássico com o mestre e seu pupilo. Ao final do espetáculo desta semana, os músicos deixaram o palco onde Iggy Pop permaneceu sendo ovacionado pelos fãs. “Estamos na estrada há muito tempo e esta é uma vida longa”, disse para o público. Realmente, é uma vida longa, afinal, quem diria que o punk chegaria até os dias de hoje? #Entretenimento #Famosos