A novela de Benedito Ruy Barbosa, autor que irritou muita gente ao declarar-se absolutamente homofóbico, foi tirada da gaveta onde estava para que o público não se deparasse com uma nova novela urbana e se recuperasse da violência de "A Regra do Jogo". O que se viu nos primeiros capítulos foi justamente um banho de sangue e tragédias, dando a impressão que a Facção Criminosa da antecessora havia se mudado de mala e cuia para o sertão, e o Pai dessa facção seria agora chamado de Painho (ou Coronel).

Como em todas as novelas da dupla Benedito/Luiz Fernando Carvalho, ela é cheia de tomadas longas de paisagens (lindíssimas por sinal) e uma fotografia impecável.

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Mas isso também pode ser chamado de embromação, levando-se em conta que, juntamente com essas tomadas, repetem-se cenas à exaustão. Aliás, no capítulo de sábado, 9, para preencher um espaço em branco e dividir as fases, a Globo levou o termo "encher linguiça" a patamares não vistos ainda, quando o capítulo foi todo um resumo do que aconteceu até ali.

Na segunda fase, o Coronel Saruê de Rodrigo Santoro foi substituído pelo ator Antonio Fagundes e mudou completamente de personalidade. Antes mais discreto, dono de uma raiva contida, se transformou num fanfarrão furioso, vestindo cores berrantes, usando uma peruca abominável, uma figura não folclórica, mas quase uma alegoria. E Fagundes, um ótimo ator na maioria das vezes, insiste em colocar duas batatas na boca para fazer os sotaques, seja de um nordestino, um fazendeiro do interior e até um italiano.

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A maioria dos atores da primeira fase foram substituídos por outros, no mínimo parecidos, com exceção do personagem Cícero, de Pablo Morais / Marcos Palmeira, que conseguiu mudar a cor dos olhos em duas ocasiões: castanhos, quando menino, verdes com Pablo Morais e de novo castanhos, com Marcos Palmeira. Alguém esqueceu de avisar aos responsáveis pela escalação que cor de olhos só mudam em bebês até os seis meses.

Carlos Eduardo, de Marcelo Serrado, também saiu diretamente dos sets de Gabriela, mas pelo meno naquela novela ele era engraçado. Com aquele cabelo e aquelas roupas, seria expulso de Brasília hoje em dia.

Se houve passagem de tempo, não parece. Os "coronéis" de hoje estão bem disfarçados de políticos engomados e endinheirados. Continuam explorando o povo, mas usam outros artifícios para isso.

Sabemos que as novelas são "peças de ficção e qualquer semelhança com fatos ou pessoas da vida real são meras coincidências". Mas geralmente elas costumam ser ficções mais próximas da realidade, ou bem distantes. Essa novela não sabe onde se encaixa. #Velho Chico