Ah, se pudéssemos voltar no tempo e nos dar conselhos! Tanta coisa a dizer, tantas armadilhas a evitar. Bom, no mundo mágico da #propaganda, tudo é possível, até cancelar assinatura de Internet rapidamente e conseguir no banco um empréstimo com juros de pai para filho, quanto mais falar com nosso eu do passado. E não surpreende nada que esta oportunidade de ouro tenha sido usada para vender produtos para emagrecer.

O serviço de entregas de produtos dietéticos Diet Chef lançou uma peça publicitária em que uma mulher, Cheryl, discute sua perda de peso com sua versão do passado. Enquanto a versão passada, desarrumada e vestindo camisa larga, se emociona com a boa forma do seu eu futuro, sua versão futura diz ter comprado um biquíni novo na semana anterior e garante que ela também pode perder peso.

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Tão logo foi ao ar, a peça atraiu uma saraivada de críticas de telespectadores e criou #Polêmica por dar a entender que as mulheres acima do peso não cuidam da própria aparência e só podem ser felizes e autoconfiantes se emagrecerem.

Veiculação, reações, polêmica e proibição: “anunciando de maneira socialmente irresponsável”?

A Advertising Standards Authority, agência que regula os comerciais no #Reino Unido, decidiu que a peça era “socialmente irresponsável” e violava o código que rege a propaganda, proibindo sua veiculação e determinando à empresa que faça com que “seus produtos sejam anunciados de maneira socialmente responsável”, sobretudo porque, além das razões expostas anteriormente, a insatisfação da versão passada, gorda, da personagem, era exagerada, já que a atriz não era nitidamente obesa.

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A propaganda, entre outros de seus defeitos, arriscava estimular um padrão de beleza irreal.

“Não é bem assim”: a Diet Chef se defende e diz não ter tido intenção de ferir os sentimentos de ninguém.

Defendendo-se das críticas, a companhia Diet Chef, sediada em Edimburgo, na Escócia, diz que o objetivo da propaganda era mostrar a frustração da personagem com sua incapacidade de manter o peso sob controle e a satisfação de finalmente conseguir controlá-lo, e que o recurso a versões “antes” e “depois” é comum na propaganda de produtos para emagrecer.

Além disso, a empresa argumenta que, quando gravou a versão “antes” da personagem, a atriz que fez o papel de Cheryl apresentava um IMC (índice de massa corpórea) de 27,4, o que a colocava na zona de sobrepeso.