A TV brasileira tem uma longa tradição em trazer para o público nacional #Novelas produzidas no exterior. Aqui já foram apresentados trabalhos da Argentina, Chile, Colômbia, Estados Unidos, Porto Rico, Portugal, Venezuela, Turquia e até mesmo de Angola e Coreia do Sul. E quem começou essa saga foi o SBT, entre abril de 1982 e janeiro de 1983, exibindo a produção mexicana “Os Ricos Também Choram”, estrelada por Verónica Castro e Rogelio Guerra e que tinha como vilão Rocío Banquells.

No entanto, o primeiro grande fenômeno de audiência entre as produções estrangeiras foi “Chispita”, de 1984. Foi também a primeira novela infantil transmitida por um canal brasileiro e, mais uma vez, o pioneirismo coube ao SBT.

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O sucesso da pequena “órfã” vivida pela atriz Lucero Hogaza León emocionou e conquistou o público brasileiro, tanto que, para segurar a audiência, sua curta história foi esticada para 200 capítulos e, posteriormente, reprisada por cinco vezes no canal de Silvio Santos. “Chispita” virou boneca, numa estratégia de marketing inédita no Brasil, e a atriz acabou visitando nosso país, para alvoroço dos fãs.

O sucesso de Chispita só seria superado por outra novela infantil, “Carrossel”, também mexicana e igualmente exibida pelo SBT entre maio de 1991 e abril de 1992. O folhetim substituiu a mal-sucedida “Brasileiras e Brasileiros” e é certamente um dos maiores sucessos entre as estrangeiras, chegando a alcançar entre 16 e 20 pontos de audiência com pico de 26, alcançando assim a vice-liderança.

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O triunfo fez com que a atriz Gabriela Rivero, que interpretava a Professora Helena, visitasse também o Brasil. Na condição de grande estrela, Gabriela foi recepcionada por milhares de pessoas e desceu a rampa do Congresso Nacional ao lado do então presidente Fernando Collor de Mello. 

Melodrama para gente grande

As novelas mexicanas mantiveram seu domínio nos anos 1990 com a Trilogia das Marias, com “Maria Mercedes” (1996), “Marimar” (1996/1997) e “Maria do Bairro” (1997), estrelada #thalía, sempre vivendo o papel da moçoila humilde que ascende socialmente ao longo da trama.

Estes trabalhos alcançaram grande penetração no Brasil e foram um marco na carreira da atriz mexicana. Pouco tempo depois, em 1999, foi a vez de Gabriela Spanic, com a “Usurpadora”, se tornar igualmente popular no Brasil. A novela atingiu audiência de 19 a 21 pontos e fez frente às concorrentes globais da época, posicionando o SBT em segundo lugar no Ibope.

Esta produção rendeu cinco reprises (2000, 2005, 2007, 2012/2013 e 2015), sempre com boa audiência.

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Em 2013, já em época de Twitter, chegou a ocupar o 1º lugar entre os assuntos mais comentados no microblog, com a hashtag #GabySpanicNossaEternaUsurpadora.

Em 2002, a produção colombiana “Betty, a feia” rompeu o domínio mexicano no Brasil. Transmitida pela RedeTV, a novela ganhou os lares brasileiros e o mundo. Em 2010, foi considerada pelo Guinness Book como a novela mais bem-sucedida do planeta. Foi retransmitida por duas vezes e só não foi mais vezes porque a Globo comprou os direitos e impediu nova exibição por parte do SBT.

Mais recentemente, a Band, que já exibiu as portuguesas “Olhos D’Água” e “Morangos com Açúcar” (ambas de 2004) e a venezuelana “Isa TKM” (2009), descobriu o mercado turco de novelas. E tem sido bem-sucedida nas suas escolhas.

A primeira delas foi “Mil e Uma Noites” (na prática uma série convertida em novela), que marcou três pontos de audiência, triplicou o número de telespectadores no período (“Glee” conseguia apenas um ponto) e abriu as portas para as suas sucessoras – “Fatmagül – A Força do Amor” (2015) e “Sila” (2016) – que mantiveram a audiência entre três e quatro pontos.

E vem mais por aí, uma vez que a emissora do Morumbi já adiantou a compra de novos títulos, como “Amor Proibido” e “Ezel”. É uma prova de que nosso mercado é grande e aberto a todos. Como diríamos em turco, “Brezilya hoş geldiniz!” ou “bem-vindo ao Brasil!”. #Gabriela Spanic