Vivemos uma verdadeira revolução na forma de consumir entretenimento desde que o serviço de streaming Netflix passou a oferecer conteúdo original em seu catálogo. A democratização na forma de assistir filmes, séries, documentários, desenhos e shows na hora que o assinante quiser, quantas vezes quiser, tornou o serviço ainda mais atrativo.

Um novo passo dessa democratização veio com a produção de conteúdo em países que não são tradicionais na produção de #Seriados. Foi assim com Narcos, protagonizada pelo brasileiro Wagner Moura, que interpretou o narcotraficante Pablo Escobar. A série se tornou um sucesso imediato em vários países, inclusive nos Estados Unidos.

Publicidade
Publicidade

E é assim agora com a primeira série brasileira original #Netflix, 3%.

A série tem a missão de mostrar não apenas aos brasileiros, mas ao mundo, que o Brasil tem capacidade de produzir séries com histórias inteligentes e instigantes que prendam os telespectadores, principalmente na internet, em que o público, em sua maioria jovens a adolescentes, se movimenta para discutir, comentar e teorizar uma série, a promovendo. Lost, Breaking Bad, Game of Thrones, The Walking Dead, são alguns dos melhores exemplos.

Pontos para o roteiro

3% cumpre seu papel, apesar de entregar uma história que não pega o telespectador nos primeiros episódios - o que é comum a maioria delas -, consegue trazer viradas interessantes ao roteiro e nos fazer querer ver mais quando os 8 episódios da primeira temporada acabam.

Publicidade

Os cenários e os poucos efeitos ainda não possuem a qualidade de uma produção norte-americana, o que é aceitável pois trata-se da nossa primeira.

O roteiro consegue entregar personagens multifacetados, carismáticos e fortes, características que são essenciais para que o público se importe com eles. Porém, é inegável que o roteiro tem como referências conteúdos que já são comuns ao público mais jovem: é bem possível compará-lo com o sucesso cinematográfico Jogos Vorazes, onde somos apresentados as diferenças entre os que são privilegiados e os que não são. Na série isso é evidenciado entre os que tem mérito e os que não tem. A crítica social baseada na meritocracia é leve, simples e interessante. Estamos sendo testados a todo o momento, mas testados por quem? Quem os dá esse direito?

Importante: os personagens não são estereotipados, o que soma ainda mais pontos à 3%.

Temos algumas atuações brilhantes, como a da candidata Joana, interpretada pela atriz Vaneza Oliveira. Além de atuações marcantes como a da atriz Mel Fronckowiak, que interpreta Julia.

Publicidade

Porém, muitos atuações sofrem do mesmo problema que tem tornado a série Supermax - empreitada da Globo para atingir o público da internet: as encenações exageradamente caricatas dos personagens de Mar Alto, a maioria delas soa "falsa", não convence.

Em alguns momentos, o personagem Rafael (interpretado por Rodolfo Valente) comete os mesmos exageros, mas nesse caso, o roteiro também possui falhas. Por isso demora para o personagem convencer, mas na metade da temporada - depois de uma reviravolta na história - a atuação fica redonda e encaixa na proposta do roteiro. Todos ficamos felizes com isso, é um personagem importante que consegue mostrar a que veio.

A série 3% tem muito mais acertos do que erros, vale a pena assistir, sim! Os oito episódios já estão disponíveis na Netflix e você pode assistir aos poucos ou maratonar, mas não deixe de dar essa chance para esse conteúdo nacional que está fazendo história. A questão agora é aparar as arestas e melhorar as atuações caricatas. Depois, é só garantir que a segunda temporada tenha um roteiro ainda mais instigante. #3porcento