A nova produção original da HBO, #Westworld, já caiu nas graças dos espectadores de séries, que estavam orfãos de uma narrativa que os instigassem a criar e debater teorias sobre a história. Estamos nós diante da nova Lost? Sim e não. Vou explicar: assim como Lost, Westworld já mostrou que é cheia de mistérios e consegue que o público seja envolvido a ponto de elaborar explicações a cada episódio. Mas, pra nossa alegria, diferente de Lost, já percebemos que dificilmente o roteiro de Westworld irá acabar - com o perdão do trocadilho infame - mais perdido que a galera lá na ilha. Porque, minha gente, o roteiro é de, ninguém mais ninguém menos, que o Jonathan Nolan, e ele é muito mas muito bom nisso, tanto que já sabemos que a pausa que ocorreu durante a produção de Westworld foi, justamente, para planejamento do roteiro, para que o que ocorresse nesse primeira temporada tivesse nexo com o final da série e foi estimado que vá até a quinta ou sexta temporada.

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Mas vamos lá: a partir daqui, o texto irá conter spoilers estão estejam avisados, ok?

Westworld mistura faroeste com ficção científica e muita filosofia. Ao longo de dez episódios conhecemos esse mundo futurístico onde existem parques de diversão para adultos, e, Westworld é um deles. Um lugar para se descobrir o verdadeiro "eu". E, como vimos, o verdadeiro "eu" tende a ser violento, seja ele humano ou máquina. Como diz a própria Dolores, personagem vivida pela Evan Rachel Woods, "esses prazeres violentos têm finais violentos" e essa frase resume muito bem o parque e a série. Westworld é um mundo de ficção, com direito a narrativas interpretadas por androides com inteligência artificial, androides esses que são, na verdade, brinquedos no parque, chamados "anfitriões", à disposição dos "visitantes" humanos que os usam para satisfazer seus desejos mais violentos, até o momento em que essas inteligências artificiais despertam suas consciências e descobrem sua verdadeira natureza.

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No fim, é aquela antiga história sobre a revolução das máquinas. Sobre a criação se voltando contra seu criador. Mas eis que Westworld surpreende na narração, ao mostrar, em seu último episódio que, na verdade, até mesmo essa revolta foi planejada pelo criador Robert Ford, vivido por Anthony Hopkins. A fotografia da série também foi impecável assim como a paleta de cores. Percebemos as estéticas diferentes do mundo "real" e do "parque". No primeiro, cores escuras, azuladas, muitos vidros, reflexos, fundos escuros. Já no segundo, cores quentes, paisagens fantásticas, um mundo muito mais "convidativo".

Acredito que o melhor na série, em geral, é o fato do roteiro trabalhar aliado ao público. Então, durante os dez episódios da primeira temporada, o público foi recebendo pistas e com elas formando teorias que se confirmaram. O que nos faz pensar que a grande sacada do roteiro foi essa: deixar o público descobrir sozinho algo que, na verdade, não era o objetivo principal daquele arco narrativo, porque a partir da confirmação da nossa teoria, vinha a verdadeira revelação e essa, geralmente, o público não estava esperando.

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Então nos tornamos, ao nos envolvermos na história e tentar decifra-la, personagens dela. Assim como os personagens da ficção tentavam entender o que estava se passando, o público fez o mesmo. Tentamos decifrar, assim como a Dolores e o Homem de Preto, o que era o labirinto. Acompanhamos a Dolores revivendo memórias enquanto percorria o mesmo caminho do passado, sem ter certeza, assim como ela, do que era presente e do que era passado. Procuramos junto ao Teddy pelo Wyatt. Tentamos decifrar quem era o Arnold junto com o Bernard... Enfim. A cada confirmação recebemos o que mais gostamos em séries: a conclusão dos arcos narrativos. Mas como toda boa série, também recebemos uma amostra do que promete ser a história da segunda temporada. Que comecem as novas teorias até a volta de #Westworld! E você, o que acha que irá acontecer na próxima temporada? #HBO #Seriados