Gregório Duvivier gosta de falar sobre política e acredita que o humor não deve ter censura. Ele atua, escreve, dirige, roteiriza, integra o "Porta dos Fundos" e acha que deveria ser músico. Entrou para o curso de teatro no Tablado por incentivo dos pais para vencer a timidez e a partir daí nunca mais parou. Formado em Letras, Gregório tem quatro livros publicados e contabiliza dezenas de participações em televisão, cinema e teatro. Bem-sucedido, o artista é dono de uma trajetória longa para quem tem 30 anos. Nas horas livres, gosta de tomar um chopp com os amigos, adora circular pelo Leblon, bairro onde mora no Rio de Janeiro e confessa que a inspiração para muitos textos vêm das ruas.

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Sem se importar o que os outros pensam, o artista quer mais é instigar. "Minha tarefa é ser contra a multidão enfurecida, acho interessante ser contra", assume.

Sua vida profissional é repleta de distintas funções ligadas à arte. Foi difícil escolher apenas uma profissão?

Queria outras vidas para ter outras profissões. Na minha família todo mundo tem essa esquizofrenia profissional. Meu pai (Edgar Duvivier) é músico, artista plástico, escritor e videomaker, enquanto minha avó era compositora de marchinhas. Já minha mãe (Olivia Byington) é cantora e violonista. Aliás, tenho muita inveja de quem sabe tocar um instrumento.

Costuma ter rotina? Como se organizar com tantas tarefas?

Sou muito desorganizado. Minha inspiração é o prazo, sempre na correria. Escrevo para o jornal com o editor me ligando e no “Porta dos Fundos” são três vídeos por semana.

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Em geral, acontece de escrever algo para o canal e não ser aprovado, aí uso na coluna. É ótimo escrever para vários meios e poder falar sobre diversos assuntos.

Por falar no Porta dos Fundos, como é integrar um grupo tão numeroso e de personalidades diferentes?

Tem todas as opiniões possíveis sobre política e qualquer outro assunto. Claro que existem divergências, mas na maioria das vezes o grupo se entende. Na mesa de bar discordamos muito, rola até porrada, mas na criação do roteiro, não.

O que te inspira a fazer humor?

Acho que as piadas existem no mundo. É sempre bom olhar para fora. O humorista não só inventa a piada, também descobre elas por aí. Adoro ter vida urbana, ando pelo Leblon e vou ouvindo as conversas para ter ideias.

Como você reage vendo suas crônicas sendo usadas em escolas?

Acho lindo quando elas têm essa utilidade. Outro dia caí no ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) e nem eu sabia responder as perguntas. Elas eram mais difíceis que o texto. Mas é claro que é muito bom, me deixa feliz.

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Da infância à idade adulta, passando juventude, a visão de mundo de qualquer pessoa se transforma. Como foi o seu processo?

Sempre convivi e aceitei as diferenças. As pessoas que frequentavam minha casa eram de estilos diversificados. Na adolescência, achava que todos eram iguais. O negro não tem representatividade no Congresso Nacional, por exemplo. Pegando ônibus, lendo jornal, se informando, você percebe que ainda falta muito para termos uma sociedade igualitária.

Vivemos em mundo onde tecnologias substituem objetos físicos. Acredita no fim do formato em papel?

Acho uma pena que qualquer fonte de leitura física morra. Torço para que qualquer impresso exista sempre. Livro, jornais, revistas... O jornalismo é muito importante e o jornal é a um meio essencial. Imagina se informar pelo #Facebook?

Por que jovens se identificam bastante com a sua personalidade?

Tento escrever para o leitor geral.As pessoas às vezes pecam muito por esquecerem dos jovens. O público juvenil costuma se interessar sobre o que não é direcionado para ele. Acho maravilhoso ter a capacidade de mudar de ideia e o jovem tem isso.

O que planeja para o futuro?

Meu sonho é entrar em cartaz estando em casa. Ser ator exige barba feita, estar maquiado, com um bom figurino. Isso não combina comigo. O autor não precisa disso. Meu ideal é cada vez mais escrever para cinema, teatro, televisão e #Internet.

. #portasdosfundos