Um domingo (26) histórico na cerimônia de premiação do Oscar que, em diversos aspectos, superou a premiação de 2016 ou de anos pretéritos, em especial pelo caráter cultural marcante, não só para a sociedade norte-americana, mas para um mundo que vive mergulhado na intolerância e em guerras que parecem não ter fim.

O drama "Moonlight" (“Sob a Luz do Luar”, na versão brasileira) teve o seu anúncio de vencedor na categoria de melhor filme um tanto conturbado, pois os apresentadores (e atores) Warren Beatty e Faye Dunaway se equivocaram ao anunciar o filme "La La Land" (A cidade das estrelas) como ganhador do #Oscar de melhor filme.

Publicidade
Publicidade

Eles receberam o envelope errado. O equívoco foi corrigido imediatamente pelos organizadores da premiação.

"Moonlight" ganhou também o Oscar na categoria de melhor ator pela atuação de Mahershala Ali (Chiron), o primeiro ator muçulmano a levar para casa a prestigiosa estatueta. Ali pertence a um grupo de escritores e atores negros premiados; entre eles, está Viola Davis, que ganhou o prêmio de melhor atriz pelo seu desempenho em "Fences" ("Cercas").

“Sob a Luz do Luar” parece ter lançado sobre todos nós, não só os norte-americanos, uma luz na escuridão da intolerância que persiste no mundo atual. Os Estados Unidos, governado pelo magnata Donald Trump, vive momentos de discurso intolerante, que tem levado milhares de pessoas às ruas para protestar.

Lançado em 23/2, "Moolight", com quase duas horas de projeção, narra a história de um jovem gay afrodescendente, morador de um bairro pobre de Miami, que sofreu bullying na infância, lutou para escapar da criminalidade e teve crise de identidade na adolescência.

Publicidade

O Oscar deste ano teve mais ganhadores negros que nas edições anteriores. "Moonlight" também ganhou o prêmio de melhor roteiro adaptado. Os roteiristas Alvin McCraney e Barry Jenkins dedicaram o prêmio às pessoas que sofrem preconceito naquele país.

Jenkins, diretor da obra, dedicou o prêmio "para todos os que sentem que não há espelho para vocês, que sentem que sua vida não reflete, o Oscar os apoia, a ACLU (Associação Estadunidense pelos Direitos Civis) os apoia, nós os apoiamos e durante os próximos quatro anos não os deixaremos sós, não os esqueceremos".

McCraney acrescentou: "Somos dois garotos de Liberty City que representam aqui 305 pessoas; esta [estatueta do Oscar] é para todos esses meninos e meninas de cor, e aos de gênero não declarado, que não se veem a si mesmos. Estamos tratando de mostrar-lhes, a vocês e a nós. Assim, obrigado, obrigado, esta é para vocês".

O Oscar de 2016 (88ª edição) foi marcado pelos protestos dos cineastas Spike Lee, Michael Moore, entre outros, em função da ausência de indicações de atores negros nas categorias.

Publicidade

Um ano depois, parece que acenderam a luz e esta cerimônia surpreendeu a muitos, tolerantes e intolerantes em questões de gênero, racial e étnica como um todo.

Mais protestos

O ator mexicano Gael García Bernal protestou contra a pretensa construção do muro que separa os EUA do México, proposto pelo governo Trump. Bernal anunciou o prêmio de melhor curta-metragem documental, com "The White Helmets" (Capacetes brancos).

O astronauta irano-estadunidense Anousheh Ansari recebeu o Oscar de melhor filme estrangeiro em nome do diretor Asghar Farhadi, que não compareceu à cerimônia como forma de protesto pela proibição do governo Trump de ingresso de muçulmanos nos EUA. Ansari leu o protesto de Farhadi: "Lamento não estar com vocês nesta noite. Minha ausência é em sinal de respeito às pessoas do meu país e de outras seis nações que são desrespeitadas por uma lei desumana que proíbe a entrada nos Estados Unidos".

Momentos antes de iniciar a cerimônia, os diretores de filmes estrangeiros emitiram uma declaração na qual rechaçaram "o clima de fanatismo e nacionalismo que vemos hoje nos EUA e em tantos outros países, em parte da população e, lamentavelmente, entre os políticos mais destacados".

O anfitrião da cerimônia, Jimmy Kimmel, também criticou o presidente Trump. #Cultura #Cinema