Como diz o Livro de Eclesiastes (Kohelet para os judeus), "o que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se tornará a fazer; de modo que nada há novo debaixo do sol." A novidade apresentada pela Globo para honrar a promessa do apresentador Thiago Leifert de que uma tempestade estava chegando para os confinados é uma velharia tirada da nona edição do reality show global: os participantes serão divididos em dois grupos, que serão separados por um muro.

Há diferenças, porém. Na edição anterior do programa, os competidores foram divididos de acordo com o resultado de um sorteio e o muro ficou de pé apenas durante os cinco dias iniciais do confinamento.

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Desta vez, a divisão ocorrerá com o jogo já em estágio avançado, depois que os participantes já tiveram oportunidade de se conhecerem (vide, por exemplo, o romance - com direito a sexo - entre Emilly e Marcos e a rixa entre Emilly e Vivian).

Além disso, a divisão obedecerá a um princípio diferente da mera sorte e com poder de criar a tensão, a rivalidade e o conflito de que este tipo de jogo depende para ser interessante: o capricho humano. O participante que atender ao Big Fone na noite deste sábado (4) vai escolher dois participantes.

Um deles receberá a pulseira branca, que dará direito a escolher a composição dos grupos. O outro receberá a pulseira vermelha e terá o direito de enviar um participante para o paredão triplo.

A divisão no início do BBB9 deixou resquícios no comportamento dos confinados até o fim (o que lembra as pesquisas de cientistas americanos sobre a criação de rivalidades entre meninos divididos artificialmente em grupos diferentes de campistas) e mostrou como regras arbitrárias podem moldar uma microssociedade incipiente.

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Por sua vez, justamente porque os brothers já tiveram o tempo de desenvolver redes de cooperação, descobrir afinidades e definir aversões, os telespectadores terão uma oportunidade de ver como os membros de uma microssociedade já estruturada usam as regras que lhes são impostas para atingir seus objetivos (aumentar as chances de ganhar um prêmio, afastar rivais, efetuar vinganças etc.).

A verdade é que a Globo, em busca da audiência e privada pela saída de Elis do maior motor de conflito do programa, tirou um obstáculo do baú para colocar no labirinto em que os ratos de laboratório correm em busca do queijo da vitória. Não é à toa que "rat race" é uma expressão da língua inglesa para um esforço interminável, aflitivo e inútil.

Talvez não seja coincidência que outro trecho famoso do Eclesiastes seja aquele que, falando sobre as obras humanas, afirma que "tudo era vaidade e aflição de espírito". Especialmente na casa mais vigiada do Brasil. Lá vai a tempestade. #Famosos #BBB Big Brother Brasil