Voluntários do CVV (Centro de Valorização da Vida), notaram um grande crescimento na quantidade de informações e pedidos de ajuda. Os e-mails recebidos diariamente eram em média 55, e passou a ser 300. O site tinha acessos em torno de 2,5 mil visitas, e subiu para 6,7 mil. Telefones tocavam sem parar. O número de ligações, começaram a ser o dobro em Porto Alegre. Muitas delas, eram feitas por adolescentes, com sintomas de #depressão e pensamentos suicidas. Muitos jovens falaram da série #13 Reasons Why, lançada pela Netflix, no dia 31 de março e contaram que se identificavam com Hannah, a personagem principal da série.

O seriado fala sobre uma jovem estudante do Ensino Médio, que deixa um conjunto de gravações em fitas cassete, explicando os motivos pelo qual ela teria cometido suicídio: assédio, estupro, bullying e incompreensão.

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A série fez muito sucesso, abalando também diversos adultos , que ficaram atentos e receosos sobre seus filhos.

Prendeu a atenção de psiquiatras e psicólogos, muitos dos quais, assistiram aos episódios, para que pudessem avaliar o impacto que a ficção poderia ter sobre seus pacientes. Em duas semanas, o triste assunto sobre suicídio de adolescentes, virou um tema conversado em diversos locais, como nos consultórios, e principalmente nas redes sociais.

Essa repercussão fez os especialistas considerarem por um lado, positivo, pois o sucesso da história de Hannah chamou a atenção para um problema sério, que muitas vezes passa despercebido, fazendo com que as pessoas ficassem atentas para os sinais de risco e buscassem ajuda. Por outro lado, negativo, pois o temor de muitos profissionais, é sobre a forma como o suicídio foi abordado na série, que para alguns deles pode vir a influenciar os jovens com depressão a também cometerem o suicídio.

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O psiquiatra Neury José Botega, diz que tem ficado apreensivo, e ao mesmo tempo com expectativa positiva. Aconselha os pais a assistirem e conversarem com os filhos, deixando-os à vontade para dizer o que a série transmite para eles e, tendo assim, uma oportunidade de conversar sobre isso. Por outro lado, diz que é crítico, citando que há uma romantização do suicídio, o que pode ser muito preocupante.

Os manuais de prevenção, dizem que não se deve transformar a pessoa que tira a própria vida em um herói, e tão pouco deve mostrar detalhes de como foi cometido o suicídio e esses são princípios não cumpridos pela série.

Rafael Moreno Ferro Araújo, outro profissional, coordenador do Comitê de Prevenção do Suicídio da Associação de Psiquiatria do Rio Grande do Sul (APRS), mostra preocupação. Quando conversou com ZH, planejava ver os episódios, porém dizia ter receio a partir de informações que tinha: "Há um período que os adolescentes param de idealizar a figura dos pais, buscando como referência outras figuras.

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Tendo acesso a esse tipo de mídia, passa enxergar como modelo e podendo ter comportamentos semelhantes. Jovens que terão a vontade de fazer o mesmo, gravar fitas, tirar a vida, e achar que serão famosos, e esse ponto de vista é preocupante.

Longe da realidade

Berenice Rheinheimer psiquiatra, diz que notícias de suicídios podem ter influências sobre os jovens. Para ela, o lado positivo da série é trazer o assunto e debate-lo. " Hannah sofreu um bullying diferente do que na realidade acontece. Ela tinha amigos, mesmo mudando de grupo quando tinha um problema. Não era um bullying "tradicional". Jovens ou crianças, quando sofrem bullying, geralmente sofrem agressões físicas e verbais, são perseguidos, e muitas vezes não conseguem se relacionar com ninguém. Isso não é o que a série mostra.".

Porém há posições otimistas. Um coordenador do Programa de Depressão na Infância e na Adolescência (PRODIA), do Hospital das Clínicas, estava preocupado com o que tinha tido de informações sobre a série e resolveu assistir a todos os episódios: " Li em redes sociais, que o suicídio era vangloriado. Assisti e não tive essa impressão.Tem cenas fortes, e é explícito o último capítulo. Não recomendaria para pessoas que tem problemas mentais, ou está passando por momentos delicados. Acredito que o seriado traz um assunto para ser debatido, e é importante que possamos falar sobre suicídio. A série mostra a parte do problema, que é a dificuldade de conversar e buscar ajuda."

Netflix afirmou diante da polêmica, que tratou o assunto com cuidado, recorrendo a especialistas durante a gravação. Ressaltando que no fim da série, há um documentário de trinta minutos sobre o tema. Brian Yorkey, diz que se esforçou para que as cenas da morte de Hannah não fossem gratuitas: "Gostaríamos que fosse difícil de ver, ficando claro que o suicídio não vale a pena.".

Depressão e alguns sintomas

Depressão é um distúrbio afetivo. Entre sintomas, há problemas com autoestima, tristeza, pessimismo, desinteresse, entre outros. É denominada como Síndrome, pois é uma família de doenças. Mostram uma série de evidências, em que no cérebro do indivíduo, há alterações químicas, principalmente em relação aos neurotransmissores, que transmitem impulsos nervosos entre as células. Vale saber que o estresse pode ser transformado em depressão em pessoas com predisposição.

Alguns sintomas: humor depressivo, irritabilidade, angústia, ansiedade, incapacidade de sentir alegria em atividades que antes eram consideradas agradáveis, desinteresse, falta de apatia, medo, insegurança, desespero, pessimismo, dificuldade de concentração, insônia, dores e sintomas físicos não justificados pelos médicos (azia, diarreia, tensão na nuca, dores de barriga, má digestão, etc), indecisão, aumento ou perda de apetite e do peso, e em alguns casos, a pessoa deseja morrer, e planeja alguma forma de se suicidar.

Muitas vezes, depressão é tratada como "frescura" ou "falta do que fazer". Vimos que não é bem assim. Se você tem algum sintoma, e pensamentos como os citados a cima, procure ajuda.

Depressão não é frescura e não é poesia, é doença. #Seriados