O casal Érico Brás e Kenia Maria viveram um episódio constrangedor em um voo da companhia aérea Avianca, que partiria da capital baiana, Salvador, tendo como destino a "Cidade Maravilhosa" do Rio de Janeiro, em março de 2016. Os dois foram obrigados a deixar a aeronave e processaram a companhia por #Racismo e danos morais. Depois de vencerem em primeira instância, a Avianca recorreu e, somente agora, o processo teve fim favorável ao casal, que recebeu indenização de 35 mil reais.

Kenia Maria é uma pessoa famosa, atuando como atriz, escritora e youtuber, além de ser considerada a primeira defensora dos direitos das mulheres negras no mundo, título concedido pela ONU Mulheres do Brasil.

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Entenda o caso

Tudo aconteceu quando, dentro do avião, que estava lotado, Kenia colocou a bagagem de mão debaixo do assento à frente e foi impedida pelo comandante, embora o comissário de bordo houvesse autorizado. Como não havia espaço no bagageiro, o comandante colocou a bagagem de Kenia grosseiramente no local. Questionado por Érico pela atitude, o comandante o chamou de mal educado e disse que o ator era uma ameaça e que deveria deixar o avião: “Me senti extremamente impotente”, relatou o ator.

O comandante acionou a Polícia Federal e os dois então foram expulsos, sem possibilidade de defesa, da aeronave, sob a alegação de que seriam uma ameaça aos demais passageiros. Por solidariedade, outros sete passageiros se retiraram do avião, deixando de viajar.

Sobre o resultado do processo, Érico Brás declarou que considera a decisão justa e representativa para o Brasil.

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O ator ressaltou também a importância de os cidadãos conhecerem as leis e a necessidade de haver mais debates sobre os deveres e direitos de cada um. Segundo ele, não teriam vencido se não tivessem o conhecimento.

Kenia Maria também se manifestou, dizendo que se sente aliviada “pela humilhação que eu passei”. A ativista, que leva o debate racial para as redes sociais, escolas, universidades e demais meios de comunicação, revelou: “quando encaro o racismo de frente, confesso que ainda fico apavorada, muda, e não seguro a vontade de chorar”. Kenia afirmou que jamais vai se adaptar a este tipo de situação.

O que se deseja é que episódios como este jamais voltem a ocorrer, [VIDEO] porém, que também sirvam de alerta diante da realidade da sociedade multirracial brasileira, na qual o racismo, apesar de ser um crime, ainda persiste.