Em matéria publicada no último domingo (16), no jornal O Globo o jornalista Artur Xexéo nos ensina o que significa o termo 'orelha', que designa o personagem que está em cena apenas com a função de ouvir o que o personagem principal na cena tem a dizer, para que assim o público saiba o que se passa pela cabeça do personagem em evidência, ou seja, é o equivalente no humor ao 'escada', que é o ator que está em cena para que o humorista principal possa aparecer.

Como exemplo de 'orelha', Xexéo deu o exemplo da atriz #elisangela, que vive atualmente na novela ‘A Força do Querer’ Aurora, a mãe de Bibi (Juliana Paes). Em sua crônica, o jornalista destaca que este é um caso em que a ‘orelha’ ganha papel de destaque na trama.

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O núcleo vivido por Juliana Paes e Elisangela é um dos pontos altos da novela de Glória Perez, em que existem vários outros núcleos interessantes. A marca registrada da autora sempre foi levar para seus folhetins temas polêmicos e relevantes para a sociedade. Nesta trama atual são abordados assuntos atuais como o famigerado jogo da baleia azul; a questão dos transgêneros; entre outros temas.

Já há algum tempo nota-se nos folhetins televisivos o flerte entre o formato tradicional de telenovelas brasileiras com o que é visto em séries televisivas internacionais (principalmente americanas), como o ritmo acelerado das cenas, e até mesmo o uso de um narrador no inicio de cada episódio narrando acontecimentos anteriores. Não há aqui nenhum tipo de crítica a este modelo atual de como as novelas são feitas.

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Isto é apenas a adaptação de um gênero com os tempos atuais.

Voltando ao núcleo protagonizado por Juliana Paes, a autora se inspirou em eventos verídicos para basear a Bibi da trama, uma mulher que vê seu mundo mudar totalmente de uma hora para outra após a prisão de seu marido por tráfico de drogas, aos poucos a personagem vê-se seduzida pelo mundo do crime pela promessa de poder e dinheiro.

Mas incomoda um pouco como esta trama vem sendo tratada na novela, como por exemplo, no capítulo que foi ao ar no dia 17 de julho, quando Bibi vai a um baile funk e fica encantada com toda a ostentação e demonstração de poder vinda do chefe do tráfico do morro.

No folhetim, praticamente todas às vezes que Bibi se depara com algo novo que faz com que ela fique seduzida pelo mundo do crime, há sempre sequências em câmera lenta e closes na atriz para demonstrar ao público o interesse do personagem por este mundo. Apesar de perigoso, não deixa de ser excitante para ela. Na tentativa de fazer com o que o público entenda como a personagem está sendo atraída por todos os luxos que o mundo do crime pode trazer, a novela peca pela repetição ao usar o mesmo recurso dramático ad infinitum.

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Outro tema abordado na novela é o vicio em jogo, neste núcleo Silvana (Lilia Cabral) é uma mulher que não admite ser viciada, até o momento a trama torna-se totalmente inverossímil e repetitiva com a personagem tendo perdido seu carro duas vezes no jogo. Ainda neste núcleo, Humberto Martins vive pela enésima vez o mesmo tipo de personagem, Eurico, empresário bem-sucedido e machista ao extremo. Entre altos e baixos a novela tem saldo positivo e consegue manter o interesse do público, apesar de ter Fiuk no elenco. #bibiperigosa #forçadoquerer