Já disponível no catálogo da Netflix, o filme Fome de Poder (The Founder, no original em inglês) já faz parte no Brasil das lendárias e pitorescas traduções de certos títulos de filmes internacionais. Porém, no caso desta produção, o título em português, apesar de não ter nada a ver com o título original, tem tudo a ver com o protagonista desta insólita história, mais um daqueles casos em que pode-se usar o clichê de que a realidade é mais inverossímil do que a ficção.

O filme conta a trajetória de Ray Croc, um vendedor de Illinois e que se transforma em um dos maiores empresários do mundo. Ray não foi o fundador da maior rede de fast food do planeta, sua ligação com o estabelecimento dos irmãos Richard e Maurice "Mac" McDonald começa quando Ray, ao vender um produto para os irmãos, fica encantando com a espécie de linha de montagem de hambúrgueres criada pelos McDonalds.

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Croc consegue perceber o que os irmãos McDonalds não se dão conta de todo o potencial daquela nova forma de produção de alimentos e de atendimento pode alcançar. Ele tenta de toda forma convencer os proprietários de que deveriam expandir o negócio por meio de franquias. Depois de muito relutarem, os irmãos acabam cedendo ao talento de vendedor de Croc e assinam um contrato com o homem de negócios.

No filme, muitas vezes é visto o embate entre a visão capitalista e selvagem ao extremo, que contrasta com o objetivo inicial dos criadores do McDonald's, que era um negócio familiar mais interessado na extrema eficiência e no alto controle de qualidade.

Croc é visto no filme como um homem ambicioso e capaz de passar por cima de tudo e todos para alcançar seus objetivos. Seu mantra é que se existe uma coisa chamada genialidade, ela é conseguida através da persistência, o que nos faz lembrar de um famoso empresário americano que chegou à presidência da maior nação capitalista do mundo.

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A genialidade de Croc é diretamente proporcional ao seu mau-caratismo. Até mesmo os famosos arcos dourados, que foram uma criação de Richard McDonald, ele consegue transformar em um ícone pop. Sua ideia era transformar as lojas da cadeias em uma espécie de igreja, um lugar em que as pessoas pudessem se encontrar.

Michael Keaton reafirma nesta produção a excelente fase em que está atravessando, depois de ter passado pelo aclamado papel em Birdman, em que concorreu ao Oscar, mas não ganhou. Esteve também no bom Spotlight e mais recentemente pôde ser visto como o vilão Abutre em Homem-Aranha: De Volta ao Lar.

John Lee Hancock é o diretor deste filme que, infelizmente, aqui no Brasil passou em brancas nuvens nos cinemas do país, assim como o pouquíssimo falado Corrupção e Poder, (Truth no original em inglês) com Cate Blanchett no elenco. Aliás, é quase um pecado um filme com esta incrível atriz passar em branco. Mas esta é outra história a ser contada. #michaelkeaton #raycroc #lauradern