Falta apenas uma semana para fazer aniversário o evento trágico que vitimou, recentemente, a cidade de Xanxerê. Ele fez sua quarta vítima fatal, alguns dias atrás. Quando alguma tragédia tem repercussão, sempre traz em sua esteira uma série de medidas de apoio e auxílio. Enquanto a volátil chama do interesse popular continua desperta, medidas se acumulam.

O exército é chamado. Órgãos de apoio internacionais são acionados.

Começa a reconstrução que, para muitas pessoas, equivale a um reinício de vida, já que perderam tudo o que tinham. Começam as coletas provenientes de todos os lugares. Muitas chegam ao seu destino. Muitas se perdem ao acaso. Parte é subtraída pela ignomínia que o ser humano, ora sim, ora não, proporciona para desgosto daqueles que ainda acreditam na raça humana.

Os apocalípticos se perguntam: "Será que a Natureza cansou e agora cobra, com a ira de Éolo (o Deus dos ventos, segundo a agradável mitologia grega), com a ira de Hefesto (o Deus dos Vulcões), a mandar vulcões expelirem lavas por aí afora, as agressões que contra ela são feitas a todo momento?".

O que acontece, geralmente no aniversário do primeiro mês, após a chegada do primeiro trimestre, quando um semestre já se conta? Parte das pessoas se esquecem e as pessoas atingidas ficam por sua própria conta. Quando toda ajuda cessa e governantes sacodem a poeira das calças, como se aquilo nada tivesse a ver com ele, seguindo em frente, é a hora da "coruja piar" (que segundo as agradáveis histórias dos mais antigos anuncia a morte de alguém) para anunciar o fim de muitas esperanças.

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Natureza

Hoje faz uma semana que dona Lourdes morreu. Ela sobreviveu alguns dias à destruição de sua casa, que de repente subiu aos ares em um espetáculo dantesco que mostra a nossa impotência contra as fúrias da natureza.

Estas imagens vão se repetir por mais pouco tempo. Logo será levantado o estado de calamidade pública. Os cinco milhões de reais oferecidos pelo governo central, decerto irão ajudar, mas a quem?

Poucos sabem. Talvez seja para construção de obras que nada têm haver com a tragédia, mas que darão o crédito imerecido a algum candidato, o que já aconteceu em tantas situações anteriores.

Mas a memória do povo é volátil. Tão volátil quando a própria duração de toda uma vida, na qual tudo o que foi construído pode vir abaixo em um passe de mágica, em um sopro de Éolo ou em chamas lançadas por Hefesto.

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