De 2010 a 2012, a Agricultura foi responsável por mais da metade do desmatamento no Brasil, segundo dados do IBGE. Informações como essa levam a crer que a atividadeagrícola, em geral, está aliada à devastação de áreas ambientais. Assim, tem se tornado cada vez mais necessário a realização de práticas que equilibrem a produtividade agrícola com a sustentabilidade, algo que tem se realizado de modo eficiente por meio das agroflorestas ou sistemas agroflorestais (SAFs).

Preservação

A iniciativa não é necessariamente nova, mas só nas últimas três décadas ganhou maior relevância como um sistema alternativo para garantir a capacidade de produzir alimentos em conjunto com a recuperação e preservação dos ambientes florestais. A ideia principal desta prática consiste em harmonizar a agricultura e/ou a criação de animais com as árvores da mata, compreendendo que a combinação das espécies será produtiva para todo o sistema.

Atualmente, a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) tem desenvolvido o mapeamento de iniciativas agroflorestais nas regiões Sul e Sudeste do país. Um grupo que tem se dedicado à realização de agroflorestas é a Apremavi (Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida), em Santa Catarina, que desde os anos 1980 realiza atividades de preservação e recuperação ambientalvisandoa melhoria na qualidade de vida na Mata Atlântica e em outros biomas.

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Natureza Negócios

Em entrevista exclusiva à Blasting News Brasil, Edegold Schäffer, presidente da associação, revela a importância da agrofloresta no trabalho que exerce e como funciona: “Os sistemas agroflorestais são bem importantes nos projetos desenvolvidos pela Apremavi, principalmente dentro das pequenas propriedades. Nas Áreas de Preservação Permanente (APPs) e em outras áreas de restauração, nos primeiros anos após o plantio das mudas é possível implantar sistemas agroflorestais, usando culturas anuais como milho, feijão, hortaliças etc.

A partir do momento em que as árvores começam a sombrear muito as áreas, pode-se introduzir espécies frutíferas e medicinais, que podem ser usadas para diversos fins, como sucos, polpas, geleias e chás”.

Produtividade

Segundo Schäffer, “os sistemas agroflorestais funcionam melhor em regiões de clima mais quente, pois permitem o uso de um maior número de espécies. Existem vários tipos de SAFs, que podem ser classificados como sistemas silvi-agrícolas, que são a combinação de espécies agrícolas com árvores e arbustos; sistemas silvipastoris, que são a combinação de animais com árvores, gramíneas e plantas forrageiras; e sistemas agrossilvipastoris, que são a criação de animais em consórciocom os sistemas silviagrícolas.

Dentro desses sistemas podem ser usadas várias técnicas diferentes e de acordo com cada realidade. Em muitos casos de SAFs usam-se as árvores como quebra-vento, abrigos para os animais e até mesmo nas curvas de nível das lavouras”.

Questionado sobre a viabilidade de utilizar a prática dos sistemas agroflorestais como uma alternativa real à produção de alimentos voltada para um público massivo, a exemplo da agricultura convencional, Schäffer afirma: “Acredito, sim, que os SAFs podem num futuro não muito distante se tornarem o modelo de agricultura voltada para o consumo de massas.

Hoje a Embrapa Gado de Corte de Campo Grande (MS) já possui projetos e pesquisas que mostram uma produtividade muito superior nos sistemas agrossilvipastoris em relação aos sistemas convencionais”.E conclui:“As mudanças nem sempre acontecem na velocidade desejada, mas elas são inevitáveis. O mundo precisa urgentemente adotar modelos mais sustentáveis de agricultura, eliminando os agrotóxicos e outros produtos químicos usados em grande escala na agricultura convencional”.

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