Em novembro de 2015, um acidente ambiental, sem precedentes em sua magnitude, atingiu a cidade de Mariana, em Minas Gerais, deixando 19 pessoas mortas, centenas de desabrigados e, de quebra, atingindo o rio Doce, fonte de sobrevivência para milhares de famílias. O fato ocorreu devido ao rompimento de uma das barragens da empresa mineradora Samarco, que explora minério na região. Todavia, essas barragens não contêm água. Contêm rejeitos resultantes do tratamento de minério, que é um produto tóxico, semelhante à lama.

A ruptura da barragem de Fundão - como é chamada - além de praticamente encobrir o povoado de Bento Rodrigues, despejou bilhões de litros dessa lama no rio Doce.

A lama misturada com a água do rio desceu para outras áreas chegando ao litoral do Espírito Santo, atingindo o mar.

Percorrendo seu trajeto em direção ao mar, os rejeitos deixaram um rastro de destruição, matando toneladas de peixes e tornando a água do rio imprópria para o uso, assim tirando o meio de vida da população ribeirinha.

O contato com a lama e com a poeira desencadeou na população uma série de doenças respiratórias e de pele, embora a Samarco tenha assegurado que a lama não é capaz de ocasionar problemas de saúde.

Passado já um ano da tragédia, a lama não foi totalmente removida dos locais atingidos. Sob a alegação de que a retirada da lama levaria muito tempo, a empresa construiu um dique em Bento Gonçalves, um povoado que foi totalmente destruído. Mas esse dique não é bem visto pelos ex-moradores do local, que querem sua retirada dali, além de ser uma obra contestada pelo Ministério Público Federal.

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Pressionada pelas autoridades, a Samarco criou a Fundação Renova para gerir a prestação de assistência à população atingida. Foi então instituído o cartão de auxílio, que garante o pagamento de um salário mínimo mensal por família, mais 20% para cada dependente e uma cesta básica.

A Samarco suspendeu suas operações na região em novembro de 2015, mas a verdade é que a população - atingida diretamente ou não pelo desastre - vive uma relação de amor e ódio com a mineradora, cujo movimento gerado por suas atividades era essencial para existência do comércio e de empreendimentos turísticos locais. É o dilema “ruim com ela, pior sem ela!”.

Porém, o estrago causado pelo acidente vai muito mais além de compensações financeiras. Além das mortes ocorridas, das pessoas que se tornaram inválidas e de animais desaparecidos, ficaram soterrados sob a lama fétida a estória da vida de gerações inteiras. Isto sim, é impagável.