Os jornais britânicos noticiaram, nessa terça-feira (3), uma histórica decisão do governo escocês em banir do país a produção de gás pela polêmica tecnologia fracking - técnica que provoca explosões no subsolo e pode contaminar a água potável e terrenos, com graves riscos à saúde dos seres vivos e do Meio Ambiente.

O ministro da Energia, Paul Wheelhouse, tomou a decisão após um longo período de consulta popular. A esmagadora maioria das pessoas ouvidas repudiou a técnica de extração de gás pelas explosões Fracking.

O ministro disse que uma proibição imediata seria promulgada para estender a moratória atual "indefinidamente", eliminando a necessidade de legislação. Disse ainda: "Deixe-me ser claro que a ação é suficiente para proibir efetivamente o desenvolvimento da extração de petróleo e gás não convencional na Escócia". E enfatizou: "A decisão que eu estou anunciando hoje significa que fracking não pode e não ocorrerá na Escócia".

O ministro informou que os resultados da consulta pública deram conta de que mais de 60 mil pessoas responderam, das quais 99% se opuseram à tecnologia de fratura do subsolo escocês.

Ou seja, a maioria repudiou a polêmica extração de petróleo e gás.

Os escoceses que se opuseram manifestaram preocupação com o impacto na saúde e no meio ambiente. Por seu turno, os defensores da tecnologia se concentraram nos benefícios econômicos e a regulamentação poderia mitigar os efeitos adversos.

Um pouco do debate

A tecnologia envolve a injeção de água a alta pressão em formações de xisto (camada de rocha sedimentar), fratura na área e permite que o gás natural flua. O governo escocês buscará o amparo legal para a proibição, estendendo a moratória em vigor desde janeiro de 2015, durante um debate parlamentar e voto após recesso.

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O conservador Dean Lockhart, Membro do Parlamento Escocês (MSP, da sigla em inglês), disse que a decisão significava que a economia do país foi "deixada para trás", e que os relatórios mostraram que o fracking poderia trazer até 4,6 bilhões de libras e milhares de empregos. Sublinhou, ainda, que a decisão fará com que a Escócia dependa de mão de obra estrangeira.

A porta-voz do Meio Ambiente do Trabalho, Claudia Beamish, bem como o MSP verde Mark Ruskell, pediram ao governo que se comprometa em legaliza por completo a proibição.

A parlamentar Beamish completou que a proposta não foi "suficientemente longe".

Os democratas liberais comemoraram a decisão do governo, mas criticaram o tempo necessário para chegar a uma decisão. Entidades de ambientalistas saudaram a proibição, enquanto setores da indústria disseram que a Escócia perderia um impulso econômico e milhares de empregos.

Segundo o jornal Independent, a presidente da campanha “Amigos da Terra”, na Escócia, Mary Church, disse: "Esta é uma grande vitória para o movimento anti-fracking, particularmente para aqueles que estão na linha de frente desta indústria suja aqui na Escócia, que trabalharam para a proibição nos últimos seis anos".

Ela disse que a decisão "evitaria impactos potencialmente devastadores para a saúde das pessoas, o clima e nosso ambiente natural".

O diretor interino da WWF escocesa, Sam Gardner, acrescentou: "É uma excelente notícia que o governo escocês tenha ouvido milhares de pessoas, ativistas e políticos em todo o país que pediram uma proibição permanente para fracking". Disse, ainda, que os cientistas que lidam com o clima são claros em recomendar que a grande maioria das reservas de combustíveis fósseis precisa ficar no subsolo.

Tom Pickering, diretor de operações da Ineos Shale, que processa o gás de xisto do exterior para a Grangemouth na Escócia, disse que o país perderá benefícios econômicos e 3,1 mil empregos.

O jornal The Guardian noticiou que embora a Escócia necessite de gás natural para o aquecimento e suas indústrias químicas, os economistas da KPMG estimaram que permitir a extração não convencional de carvão e gás só aumentaria o PIB (Produto Interno Bruto) da Escócia em cerca de 0,1%, mas causaria a ruína ambiental em áreas onde ocorreu.

Ativistas do meio ambiente na Inglaterra disseram que a decisão do governo escocês, que reflete uma proibição semelhante no País de Gales, deixou os ministros londrinos bastante isolados, pois continuaram a apoiar o fracking na Inglaterra.

Uma interessante decisão que, também, deve ser bem analisada aqui nas Américas, onde esta tecnologia tem sido adotada, em especial nos Estados Unidos. No Brasil, recentemente, falou-se nisto, e contou com o repúdio de lideranças de petroleiros e especialistas.

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