O Dia Internacional de Água, comemorado em 22 de março, trouxe novamente à tona discussões sobre a água no planeta. Mas não há o que comemorar. Os resultados sobre os propósitos a que a data foi gerada têm se mostrado pouco relevantes na prática, haja vista a crise de acesso à água potável, a grave escassez em algumas regiões e a sistemática poluição de rios e fontes.

Em todo o planeta apenas 0,77% da água estaria disponível para consumo humano. Potável, apenas 0,008% do total da água do planeta. Considerando que a Terra é tomada por 2/3 de água, que destes apenas 2% são água doce, e destes mais de 90% estão congelados ou em depósitos subterrâneos, esses percentuais são assustadoramente preocupantes.

Aumenta essa preocupação o volume extremamente elevado e comprometedor de rios e mananciais contaminados por agentes poluentes pela ação humana. O consumo de água contaminada em todo o mundo ocasiona enfermidades severas, em muitos casos irreversíveis.

Some-se a isso o consumo diário de produtos contaminados nas irrigações com água poluída por agrotóxicos utilizados nas lavouras. Nascentes e rios são poluídos por rejeitos químicos industriais de forma criminosa. No Brasil, há os recentes e graves exemplos – ainda impunes – de Mariana (MG), com o rompimento da barragem do Fundão, e de Barcarena (PA), pela Hydro Alunorte, ambos em proporções alarmantes de danos à fauna e flora.

Escassez, a questão a ser debatida

A escassez de água é crítica em algumas regiões do planeta. O nordeste brasileiro é um exemplo, ainda que menor na escala planetária. Em estados brasileiros mais afetados pela seca animais morrem por falta d’água, e famílias vivem situações dramáticas por falta de água.

Ainda que o Brasil detenha a maior reserva hídrica do planeta, com cerca de 12% do total de água doce do mundo, o desperdício e a poluição são enormes, e o saneamento é falho. Segundo informações da Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), cerca de 1.400 crianças menores de 5 anos morrem no planeta por dia por falta de água.

Organismos internacionais avaliam que cerca de 20% da população mundial não tenham acesso a água potável, e que cerca de 2,6 bilhões de pessoas vivem sem saneamento básico. As soluções passam por questões administrativas, dependentes de recursos financeiros e vontade política.

Estudos indicam o reuso e a dessalinização da água do mar como alternativas à escassez, mas requerem avanços científicos, altos investimentos e estudos aprofundados para o equilíbrio ambiental. O resultado em grande escala é outra dúvida sobre a viabilidade.

O que fazer?

Exagero afirmar que a água se acabará no planeta. Mas com certeza sua escassez se tornará cada vez mais crítica e os resultados dramáticos caso seu uso continue ocorrendo de forma displicente, com desperdício e poluição crescente.

O caminho é a conscientização e preservação.

Água é sinônimo de vida. Ancestrais da humanidade contemporânea tratavam-na com respeito e veneração, tratamento também praticado pelos indígenas e adotado por religiões. Através da preservação ambiental, do uso sustentável, racional, equilibrado e consciente, da proteção das fontes e reservas aquíferas como patrimônios da humanidade e aplicação de leis enérgicas às ações poluidoras, o futuro pode reservar condições mais justas para a distribuição da água potável aos povos de todo o mundo.

Ao menos até as grandes potências não optarem pela beligerância para conquistar o seu domínio. Uma resolução da ONU (Organização das Nações Unidas) assegura que ‘’água limpa e segura e o saneamento básico são direitos humanos’’.

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