O assassinato de duas jovens [VIDEO] no dia 18 de novembro, em Betim, na região de Vianópolis, levou investigadores da Polícia Civil a um esquema de prostituição que acontecia há tempos na Região Metropolitana de Belo Horizonte, envolvendo pessoas influentes. Segundo apuração da polícia, as garotas, de 16 e 17 anos, foram mortas em uma orgia que ocorria num sítio, após se negarem a fazer sexo com dois homens que participavam da "festa".

Uma outra adolescente, de 15 anos, conseguiu sobreviver ao se fingir de morta depois de levar um tiro. Assim que o carro se distanciou de onde estava, ela fugiu e, enquanto corria, ainda ouviu os disparos contra suas amigas, cujos corpos foram deixados na rodovia MG-060.

Testemunhas que moram na região disseram que o local é conhecido pela frequência dessas festas, que envolvem também o consumo de drogas. A polícia acredita que as garotas tenham sido levadas ao sítio sem saber ao certo do que se tratava e, chegando lá, foram obrigadas a manter relações sexuais com um grupo de homens. Ao se negarem, foram colocadas em um carro, no qual foram torturadas por cerca de 2 horas e, posteriormente, assassinadas.

Presos suspeitos de orquestrarem esquema de prostituição

Quatro pessoas foram apreendidas: o proprietário do sítio, o caseiro, um hóspede e uma outra pessoa que foi liberada após prestar depoimento. No dia 20, segunda-feira, Lúcio Rodrigues Pereira Neto foi preso em Esmeraldas, na Grande BH, mas negou participação no crime.

Outro indivíduo detido foi Eduardo Ferreiro de Souza, ex-candidato ao governo de Minas em 2014 pelo Partido Social Democrata Cristão (PSDC) e em 2016 pelo Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), que tinha um cargo comissionado na Prefeitura de Contagem, do qual foi exonerado.

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Souza é apontado como um dos organizadores das festas e foi liberado após prestar depoimento.

Três suspeitos de envolvimento no homicídio ainda se encontram foragidos, Renato Henrique de Almeida, de 27 anos, Osmar Amaral Ferreira, de 26 e Elismar Santos da Silva, de 31.

A investigação da Polícia Civil aponta para um grande esquema de exploração sexual no qual diversas pessoas estariam envolvidas, dentre elas um tenente-coronel da PM identificado como assíduo frequentador das festas, que está colaborando com polícia. Segundo o delegado Rodrigue Rodrigues, um casal seria responsável por recrutar mulheres e adolescentes oferecendo bebidas alcoólicas e drogas em troca de serem levadas aos encontros para oferecerem programas, pelos quais recebiam entre 150 e 300 reais.

Os depoimentos de adolescentes que já haviam participado das festas revelam que as garotas ficavam nuas em uma piscina e, quando escolhidas por algum dos convidados, iam para um dos quartos disponíveis, onde aconteciam os programas. De acordo com as apurações, os aliciadores tinham uma lista fixa de clientes, separada por dias da semana e as próprias adolescentes também podiam selecionar os dias em que participariam das festas.