A união de docentes e servidores nem sempre é comum nas greves das instituições federais. Em geral, os sindicatos possuem reivindicações e mobilizações próprias que ocorrem em momentos e de modos distintos. Questionado a respeito da conjunção dos movimentos, Fabiano Amorim considera positiva a mobilização em conjunto, mas se queixa da visão da sociedade em geral que tende a "enxergar apenas os professores e não olhar para os técnicos. Muitos acham que a universidade funciona apenas com os professores. Isso também ocorre com a imprensa".

Greve "solitária"

Para ele, esse tipo de visão faz com que se coloque a pauta dos servidores técnico-administrativos em segundo plano: "O resultado disso é que, devido à pressão maior em torno do clamor da sociedade pelos professores, o governo acaba atendendo suas reivindicações primeiro. Eles negociam com os professores em separado e depois continuamos nossa greve sozinhos, como sempre", afirma.

Entre as reivindicações em comum entre professores e servidores técnico-administrativos, está o reajuste de 27% no salário para repor as perdas salariais dos últimos 5 anos, nos quais o reajuste dado foi de apenas 15%, e mais um adicional para o ganho mínimo do próximo ano.

Corte de R$ 9 bilhões na educação torna "Pátria Educadora" um absurdo

Entre as pautas de greve também está o corte de R$ 9 bilhões anunciado pelo governo na Educação.

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Educação

Nesse cenário, Fabiano Amorim considera "um absurdo a presidente Dilma Rousseff escolher como lema para o seu governo 'Pátria educadora', justo quando promove cortes pesados nos investimentos em educação".

Como alternativa, o servidor sugere "retirar menos de 1% dos recursos que serão usados para pagar a dívida pública neste ano. Se é para cortar, vamos cortar, mas de onde realmente há excesso de recursos e não numa área onde somos tão carentes deles".

Crise desastrosa

Por outro lado, ele também reconhece que "os governos Lula e Dilma investiram no Brasil como nunca. As universidades receberam investimentos pesadíssimos que aumentavam a cada ano". Porém, segundo ele, "a presidente Dilma não percebeu quando seria o momento de frear o investimento. Continuou gastando como se não houvesse amanhã, até um ponto em que começou a faltar dinheiro. O investimento que deveria ter sido cortado aos poucos acabou tendo de ser cortado de uma vez, causando essa crise desastrosa".

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