Homem de trânsito fácil no Palácio do Planalto, próximo das principais lideranças políticas do País, presidente da maior construtora brasileira e herdeiro de um verdadeiro império financeiro. As descrições que definem Marcelo Bahia Odebrecht dão a receita quase perfeita para uma longeva e frutífera carreira no alto empresariado nacional, e de fato, todo este aparato material e ideológico do atual presidente da Odebrecht S.A. permitiu que o neto de Norberto Odebrecht tomasse as rédeas da organização e alcançasse voos ainda mais altos  para a empresa fundada por seu avô em 1944.

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Respeitado por políticos dos mais diversos partidos e por empresários dos mais distintos ramos, Odebrecht viu seu castelo de cristal – e ouro maçico, no que se refere à seu poderio financeiro – se quebrar no último domingo, dia 19, quando foi preso na 14ª fase da Operação Lava Jato, deflagrado pela Polícia Federal após os desdobramentos das investigações dos alarmantes e cada vez mais novelescos casos de corrupção da Petrobrás, maior empresa pública do país.

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Moldado desde a juventude para se tornar o grande capitão do imponente e destemido navio da organização Odebrecht, Marcelo talvez não esperasse se ver em tão dramática situação já neste final de semana, mas com certeza já previa a possibilidade de se chocar com um iceberg logo em frente, tentando evitar a todo custo a colisão que poderia naufragar sua imponente embarcação empresarial.

Entre as perigosas ondas do poluído mar que envolve a Petrobrás e por onde a Operação Lava Jato realiza seu cerco, o homem que estudou na Inglaterra e cursou mestrado na Suiça para tocar os negócios da família realizou uma verdadeira operação de emergência com sua não tão fiel tripulação – delatores, empresários, políticos e outros no perigoso e certeiro alvo da PF – para tentar salvar-se da tragédia.

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Lava Jato Petrobras

Odebrecht não contava, no entanto, que as siglas e “planos B” traçados para sua salvação seriam decifrados e expostos pela Polícia no documento pelo qual foi indiciado nesta segunda-feira, dia 20.

Apanhado pelos registros feitos em seu celular, o empreiteiro se vê agora envolvido num grande escândalo de suposta obstrução da Justiça, que envolve em suas surpreendentes nuances possíveis colaborações de dissidentes da PF e até de membros da OAB, como alega o documento das autoridades investigativas.

É cedo para saber se a prisão de um dos mais importantes empresários do País irá perdurar, quais serão suas consequências e como o gigantesco e opulento navio da Odebrecht reagirá com a ausência – temporária ou não – de seu capitão, mas é possível verificar de perto os efeitos da cada vez mais explosiva Lava Jato no empresariado e no meio político brasileiro.

Se antes havia sempre um bote salva vidas disponível para quem podia paga-lo, hoje começa a ficar evidente que é bom os poderosos começarem a aprender a nadar, ou correm sério risco de serem abocanhados pelos tubarões.

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Apesar de suas diversas qualidades como empresário e de sua proximidade com o alto escalão político, Marcelo Odebrecht parece ter aprendido essa lição um pouco tarde. A ele, resta agora a chance de tentar alcançar a orla antes que seja tarde demais.

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