A imagem de qualidade das marcas japonesas volta a serarranhada, com o anúncio do megarecall de mais de 477 mil veículos comercializadospela Honda no Brasil. São quatro modelos envolvidos: o compacto Fit, os sedãsCity e Civic, além do utilitário-esportivo (SUV) CR-V, produzidos entre 2007 e2011. O motivo da convocação é um defeito na bolsa inflável do motorista que,em caso de colisão frontal, pode projetar fragmentos metálicos pela cabine.

Oproblema, decorrente do rompimento de parte estrutural do insuflador do airbag,pode causar danos materiais e lesões fatais nos ocupantes e até mesmo emterceiros.

No início deste mês, a matriz japonesa da Honda já haviaadicionado mais 4,5 milhões de veículos, em nível global, ao recall que incluinada menos que 24,5 milhões de unidades no mundo inteiro. A montadora põe aculpa no fornecedor da bolsa inflável, a Takata, que está no olho do furacão deuma crise internacional que atinge até mesmo 814 superesportivos da Ferrari.Até agora, pelo menos oito mortes seriam relacionadas com o defeito.

A Takata também entrou, recentemente, na lista negra doConselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que investiga a empresa porformação de cartel junto com a Autoliv para o fornecimento de cintos desegurança e bolsas infláveis, entre outros itens – ou seja, por trás doproblema técnico está a ganância industrial. A Honda, que tem uma participaçãode 1,2% na Takata, descartou qualquer ação em defesa do fornecedor.

Para se ter uma ideia do porte da crise, o novo presidenteda montadora, Takahiro Hachigo, anunciou que os resultados financeiros para ofechamento do ano fiscal da Honda, que terminou em março, serão recalculados emfunção do impacto do megarecall nas contas do fabricante – no primeirotrimestre deste ano, a Honda norte-americana tinha “reservado” US$ 30 milhões,o equivalente a mais de R$ 100 milhões, para as despesas com a convocação nosEstados Unidos.

Curiosamente, a substituição gratuita – só faltava a Hondacobrar pelo serviço – do insuflador do airbag só será feita a partir de 3 denovembro, na rede assistencial da marca. Ou seja, até lá, quem tiver um destesquatro modelos seguirá por sua própria conta e risco. Apenas para o leitor teruma ideia, são mais de 132 mil unidades do Fit, cerca de 75.500 unidades doCity, quase 220 mil unidades do Civic e outras 57.700 unidades do CR-V.

Valelembrar que, no início de maio deste ano, a Honda chegou a se esquivar doproblema, afirmando que o recall mundial não afetava os modelos vendidos noBrasil.

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