O governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori (PMDB-RS), começou a sentir nesta quarta-feira (19) o efeito provocado no Estado pela paralisação geral dos servidores públicos. Aprovada em assembleia que reuniu diversas categorias no centro de Porto Alegre (RS) na terça-feira (18), com aproximadamente 30 mil pessoas, a greve terá três dias de duração e irá até a próxima sexta-feira (21). O funcionalismo protesta contra as recentes medidas adotada pelo governo gaúcho em parcelar salários para enfrentar a crise financeira.

Nesta quarta, o primeiro dia de ações dos grevistas demonstrou uma forte redução no efetivo da Brigada Militar, pedido para fechamento de diversos bancos e inúmeras escolas públicas sem aulas. De fato, as áreas de segurança pública e educação foram as mais afetadas pela greve. A “Operação Dignidade”, por exemplo, foi instaurada por agentes da segurança no sentido de tirar das ruas as viaturas e equipamentos da polícia que estiverem precárias ou ilegais.

Sem novas fardas para trabalharem, alguns policiais militares permaneceram no quartel em horário de trabalho. A categoria acusa o governo estadual de não ceder as novas peças. Leonel Lucas, presidente da associação que representa a Brigada Militar local, informa que 20% do corpo de trabalho da BM foi retirado das ruas como forma de aderir à greve.

A Polícia Civil, por sua vez, só irá registrar os crimes considerados graves durante os dias de paralisação.

Não perca as últimas notícias!
Clique no tema que mais te interessa. Vamos te manter atualizado com todas as últimas novidades que você não deve perder.
Política

Porém, cada unidade policial está dispondo da autonomia de avaliar caso a caso. Os delegados, em contraste, estão mantendo suas atividades normalmente – embora também tenham prestado apoio às pautas dos servidores grevistas.

Escolas públicas ficam às moscas

Em Porto Alegre, capital, pouquíssimas escolas públicas abriram as suas portas nesta quarta-feira e mantiveram o seu calendário letivo. Os colégios que optaram por não aderir por inteiro à paralisação diminuíram drasticamente a jornada de trabalho e contam com poucos professores.

Aos pais dos alunos, na maioria crianças, as recomendações dadas são desencontradas. O Cpers-Sindicato, que representa a categoria de professores do Rio Grande do Sul, pede que os familiares dos jovens não levem os seus filhos às escolas. Por outro lado, a Secretaria Estadual de Educação sugere que entrem em contato com a diretoria de cada escola para saber as reais condições.

O Colégio Estadual Júlio de Castilhos, tradicional instituição do bairro Santana, em Porto Alegre, manteve os seus portões abertos na manhã desta quarta-feira.

Mas foi em vão. Isso porque segundo a diretora da escola, Fernanda Gaieski, nenhum aluno se fez presente. Segundo ela, cerca de 90% do corpo docente está em greve. A situação se reflete em outras regiões do Estado, que também estão sem aulas, como em Bagé, na região da Campanha, e em Santa Cruz do Sul, no Vale do Rio Pardo.

As próximas semanas não trazem a certeza da normalidade dos serviços públicos com o fim da paralisação.

Os grevistas já informaram que se o salário de agosto não for pago pelo governo Sartori até o dia 31, haverá outra greve no início de setembro. E, no meio disso tudo, quem sofre é a população gaúcha.

Não perca a nossa página no Facebook!
Leia tudo