Conhecida por ter desfilado simulando a crucificação cristã na 19ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, a modelo e atriz transexual Viviany Beleboni sofreu uma agressão com faca no sábado, dia 8, quando retornava para sua casa, em São Paulo.

A atriz divulgou um vídeo em suas redes sociais para mostrar os cortes sofridos e relatar o ocorrido. Segundo Viviany, o agressor afirmou que ela era “um demônio” e que teria que “pagar pelo que fez”.

A modelo relatou que o agressor se assemelhava a um “marginal de rua”, e que conseguiu se defender durante o Ataque, evitando consequências piores.

No vídeo, Viviany também afirmou que não faria um boletim de ocorrência por não acreditar na eficácia da polícia. “Pra quê [fazer o B.O.]? Pra eles te tratarem que nem um homem, pra te chamarem que nem um homem, rirem na tua cara e não dar em p... nenhuma?”, declarou a modelo.

“Eu vou ter que ficar trancada na minha casa, porque é isso que esses religiosos, esses fanáticos querem, que a gente fique trancada dentro de casa”, continuou Viviany, que se disse cansada de ser ameaçada e insegura de andar na rua.

Manifestação na Parada LGBT

A modelo de 26 anos de idade ganhou notoriedade na última Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, no dia 7 de junho, quando desfilou em um carro de som pregada a uma cruz, simulando a crucificação de Jesus Cristo e traçando um paralelo entre o martírio sofrido pelo símbolo da religião cristão e a homofobia e violência sofrido por transexuais, homossexuais e integrantes da comunidade LGBT na atual sociedade.

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Curiosidades Política

Acima da cruz utilizada durante o desfile, Viviany trazia a mensagem “basta de homofobia”.

A manifestação causou polêmica e despertou a ira de religiosos e pessoas contrárias à utilização do símbolo para este fim. A modelo afirmou que vem sofrendo ameaças desde o ato, que gerou diversos debates nas redes sociais.

Soluções

Para o jornalista e ativista LGBT Bruno Machado, a sociedade precisa cobrar maior preparo da polícia e maior empenho da esfera judicial para amparar as vítimas dessas agressões e para evitar novos casos de violência por ódio.

“Infelizmente a PM brasileira não é orientada a lidar com a diversidade, seja ela qual for. Para se ter uma ideia, uma matéria recente do El País revelou que menos de 2% da carga horária de um curso de formação para policial militar é voltado para o estudo dos direitos humanos. A afirmação de que a PM é mal preparada é falsa e verdadeira ao mesmo tempo. Falsa pois os soldados hoje são treinados para torturar e matar e, inclusive, são incentivados a isso.

Verdadeira pois o currículo desses profissionais deve ser revisto, já que o regimento que norteia a elaboração dos cursos data da ditadura. Não há como formar um policial ético e responsável com esse cenário”, afirma.

Para ele, é necessário um novo modelo de treinamento policial e ações contundentes em formatos de leis. “Os policiais precisam ser treinados para tratar transexuais e travestis, que normal e infelizmente, vivem muito na rua e sobrevivem pela prostituição, o que as faz mais vulneráveis à violência e, portanto, mais propensas a terem contato com um policial.

No Brasil, infelizmente a travesti ocupa esse espaço de comicidade. Quantos vídeos você já não viu em que uma travesti supostamente roubou ou até tentou matar o cliente durante um programa? E infelizmente, o que é um caso policial como qualquer outro acaba por ganhar comicidade por se tratar de uma travesti e de um homem que quis fazer sexo com ela”.

“Na esfera judicial, mais especificamente, é preciso que haja um esforço para a aprovação da Lei João Nery, que despatologiza a identidade transexual. Só assim daremos um passo maduro no acolhimento dessas pessoas, garantindo-lhes dignidade, inclusive nas infelizes casualidades em que essas pessoas precisem buscar auxílio policial”, concluí.

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