A CNN publicou nesta quinta-feira, 24/09, a descoberta feita no Brasil, de um crânio de 9.000 anos de idade, encontrado por um grupo de arqueólogos da USP, em uma caverna na região de Lagoa Santa (MG). Segundo o artigo, os cientistas confirmaram que este pode ser o caso mais antigo de decapitação ritual no Novo Mundo.

O crânio descoberto no abrigo de pedra em Lapa do Santo, tinha as mãos amputadas descansando sobre o rosto e pertencia a um homem. Os pesquisadores disseram que a decapitação não foi o resultado de um assassinato, mas, provavelmente, de uma prática de enterro utilizada culturalmente naquele período.

Era parte dos rituais de enterro, que incluía a "manipulação do corpo", disse André Strauss, investigador do estudo, publicado na revista cientifica PLOS ONE.

Um crânio sem corpo

Em entrevista ao G1, Strauss diz que demoram um pouco a entender a situação. "Na época, a gente estava começando a escavar, encontramos o crânio, e estávamos esperando encontrar o resto do corpo. Mas continuamos escavando, e nada de corpo". "Mas o processo é lento. A gente leva cerca de 20 dias para fazer uma escavação como essa, e levamos quatro dias até entender o que estava acontecendo. A única explicação para aquilo que a gente estava vendo era um caso de decapitação" ."Os habitantes de Lapa de Santo, pareciam usar o corpo humano para expressar seus princípios cosmológicos sobre a morte", disse ele.

Os especialistas dizem, que a decapitação era considerada um ritual entre os caçadores-coletores na área, durante um período referido como o Holoceno.

"Esta decapitação ritual, atesta a sofisticação inicial dos rituais mortuários entre caçadores-coletores nas Américas", disse Strauss.

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"Geograficamente, amplia a gama conhecida de decapitação em mais de 2.000 quilômetros, mostrando que durante o período Holoceno inicial, este não foi um fenômeno restrito a parte ocidental do continente como assumido anteriormente."

A decapitação mais antiga conhecida

O crânio é três mil anos mais velho que a evidência anterior conhecida, de decapitação na América do Sul, que eram dos povos dos Andes peruanos, cerca de 4.000 anos atrás.

Um dos sítios arqueológicos mais importantes das Américas, a região de Lagoa Santa é o local onde foi encontrado o fóssil do remanescente humano mais antigo encontrado no Brasil, com 11.500 anos, chamado de Luzia.

O crânio foi retirado em 2007 do local, e após várias preparações e análises detalhadas, os cientistas entenderam o procedimento ao qual o indivíduo foi submetido. A descoberta está descrita, na quinta-feira, 24/09, em um estudo publicado pela revista científica "PLoS One".

 Strauss e seus colegas do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, na Alemanha detalharam as descobertas.    #História #Curiosidades #universidade