A morte do índio Semião Fernandes Vilhalva, durante a desocupação de uma das fazendas invadidas pelas famílias indígenas em Antônio João, no Mato Grosso do Sul, reflete a grave situação de conflito existente na região entre índios e fazendeiros. O corpo de Semião foi encontrado baleado no dia seguinte, o que revoltou, ainda mais, os índios que cobram do Governo a demarcação das terras para o povo indígena.

“A situação já é bastante grave e não é uma morte, foram muitas ao longo de muito tempo, que não geraram nenhum impacto no governo ou na sociedade local. O que se observa e o Estado – o governo de Jose Eduardo Cardoso - seguir a ‘passos de tartaruga’. O Kaiowa, o terena, o nahdevã, são povos que estão distantes da sede do governo, estão distantes das capitais e seu cotidiano de luta e dor não é sentido”, critica a advogada e professora da UniCeub, Sandra Nascimento.

“Romper com a passividade e a morosidade para tomar medidas em favor dos direitos dos povos indígenas precisa de coragem política. O que faltou a todos os governos até agora. Quando podem fazê-lo, entram em dramas morais forjados de que os proprietários de grandes terras precisam também ser protegidos. Não que não devam ser protegidos, mas não quando o que pretendem proteger não lhes é próprio. O problema dos fazendeiros, mais uma vez, não é com os indígenas e sim com o Estado.

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Que busquem seus meios de defesa frente ao Estado, mas não pegando em armas e assassinado jovens lideranças indígenas e amedrontando crianças e xamãs. Mas, é certo, os povos indígenas continuarão a resistência, sem dúvida”, garante Sandra.

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