Após o anúncio feito por líderes de estado sul-americanos de que serão agilizados os procedimentos para o recebimento dos refugiados sírios, numa tentativa de ajudar a controlar a crise migratória que se instala na Europa, o site Blasting News Brasil procurou o especialista em Relações Internacionais, Robson Valdez, vinculado a Fundação de Economia e Estatística do Estado do Rio Grande do Sul (FEE), para tratar de questões relacionadas a este tema, que já divide opiniões no país.

Confira a entrevista.

Blasting News Brasil - Apesar de enfrentar dificuldades políticas e econômicas, governos da América do Sul buscam se unir aos esforços internacionais para receber os refugiados da Síria. Como você avalia essa ação?

Robson Valdez - A América do Sul é uma região que há tempos acolhe imigrantes de todas as partes. Ainda que o continente não seja a região de maior dinamismo econômico do planeta e que não ofereça os melhores serviços públicos aos seus cidadãos, aqui os imigrantes têm uma maior facilidade de adaptação.

Levando em conta o atual cenário dos refugiados sírios, avalio positivamente a boa vontade dos países sul-americanos em receber estes refugiados, ainda que ter boa vontade não signifique ter condições de receber estes refugiados de forma adequada.

BNBO Brasil é um dos países sul-americanos que se colocou a disposição para receber os sírios. Você acha viável receber os refugiados com a grave crise econômica que o país passa?

RV - Com crise ou sem crise acredito que se o Brasil decidiu receber mais imigrantes o país deve legalizar a situação dessas pessoas deforma mais pronta para que eles possam ter acesso aos serviços públicos, ao sistema de crédito e ao mercado de trabalho.

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Assim, diminuem-se as chances para que estes imigrantes caiam na clandestinidade e na criminalidade.

BNBO que estaria por trás da ação da Presidente Dilma Rousseff em defender a chegada dos refugiados no Brasil? Seria uma tentativa de melhorar a imagem do país, já tão comprometida por conta da corrupção?

RV - Não acredito que a atitude da Dilma tenha a ver com a imagem desgastada do país por causa da corrupção.

A Política externa brasileira sempre se posicionou positivamente sobre as questões dos refugiados. Em política internacional, há momentos em que os líderes precisam se posicionar. Nesse caso, a Presidente se posicionou emoferecer mais vistos de permanência aos refugiados sírios. Este movimento mostra a vontade do país de ser reconhecido como um player importante nos mais variados temas da agenda internacional.

BNB – Alguns pessimistas acreditam que o aumento da população desempregada, uma possível consequência com a chegada dos refugiados sírios, pode aumentar os índices de violência nos países. Você acredita nisso? O que, afinal, de negativo pode ocorrer?

RV - No caso do Brasil, país com pouco mais de 200 milhões de habitantes, qual foi o impacto nos níveis de desemprego e violência com a chegada de 2077 sírios desde 2011?

Difícil estimar. Acredito que em um primeiro momento, são os refugiados que estão expostos aos riscos: não falam o idioma local, não comungam damesma fé, etc. Para minimizar estes riscos, o Estado deve documentar e legalizar a situação de todos. Assim, o risco maior é o de o Governo não receber estes imigrantes de forma correta (legalizada).

BNB – E o que pode ocorrer de positivo? Como os refugiados podem contribuir com o crescimento econômico do Brasil nesses tempos de crise?

RV - A solução para a crise da economia brasileira passa longe da questão dos refugiados. No entanto, do ponto-de-vista econômico, podemos aproveitar o influxo de mão-de-obra. Não se pode descartar a existência de mão-de-obra qualificada dentro desse contingente. Em todo caso, acredito que o maior ganho, além da construção da imagem positiva para o país, diz respeito à miscigenação cultural.

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