Os movimentos migratórios mundiais estão sendo abordados de forma bombástica pela mídia mundial em função dos acontecimentos de “invasão” da Europa por mar e por fronteiras terrestres. Milhares de pessoastem por objetivo primário salvar a própria vidadas guerras, da fome, da destruição e da falta de perspectiva que assola os seus respectivos países.

Estefenômeno já tinha se iniciado no Brasil de forma ordeira desde o século XIX, mais especificamente em 1860, quando o Imperador Dom Pedro II visitou o Líbano, estimulando a imigração do povo local para o Brasil.

Tanto o Líbano quanto a Síria foram ocupados pela Turquia, provocando o êxodo em massa destes povos para outros países, inclusive para terras brasileiras. Osárabes em geral usavam passaportes turcos para saírem de suas regiões, o que lhes valeu a contragosto o adjetivo de “turcos” por aqui.

Até 1930 um número superior a 100.000 árabes entraram no Brasil. Sírios, libaneses, palestinos, iraquianos, marroquinos, argelinos, egípcios entre outros com sonhos de dias melhores.

Possuindo uma língua riquíssima e com séculos de existência foram muito bem-vindos no Brasil, enriquecendo ainda mais a cultura deste país-continente.

Com a atual guerra civil na Síria, levante dos terroristas do Estado Islâmico, fragmentação da Líbia, instabilidade política no Egito, política de vizinhança agressiva do Estado Judeuentre outros fatores, fazem com que atualmente os sírios constituam-se no povo com maior número de refugiados aceitos no Brasil, que concede mais abrigos para sírios do que países da Europa do Sul (Grécia, Itália, França e Espanha), os quais têm grandes quantidades de imigrantes ilegais devido à geografia daquela região.

A Espanha, Itália e Portugal, juntos, só deram refúgio para 2.405 refugiados sírios conforme a Eurostat (agência de estatísticas da União Européia).

"Há a questão humanitária, que por si só já facilita a recepção dos refugiados e o Brasil desempenha as suas responsabilidades diante do mundo e com a sua legislação interna ao abrigar os necessitados do exterior. Esses indivíduos tiveram na imigração, talvez a única chance de salvarem os seus bens mais preciosos, a saber, suas vidas e de suas famílias", afirmou Beto Vasconcelos, presidente do Comitê Nacional para Refugiados (Conare) do Ministério da Justiça.

Até julho de 2015 o Brasil deu 10,4% mais pedidos de refúgios do que em todo o ano de 2014, resultando em 8.400 refugiados em 2015; em 2014 foram 7.609 migrantes. É fato que os “migrantes sírios no Brasil terão de lutar mais para conseguir sobreviver, ao contrário daqueles que vão para Europa que concede mais abrigos e ajuda em dinheiro”, explica Pedro Dallari que é diretor do Instituto de Relações Internacionais da USP e trabalha na elaboração da proposta do anteprojeto de Lei de Migrações e Promoção dos Direitos dos Migrantes no Brasil.

Independente destes migrantes sírios e de outras nacionalidades pensarem em se fixar no Brasil para sempre ou se mais tarde retornarão aos seus países de origem, acredita-se que é correto afirmar que a maior parte da sociedade brasileira dirá: “bem vindos (as) ‘brimas’ e ‘brimos’ e que sejam felizes nas terras brasileiras”!

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