Luiz Gonzaga Pinto da Gama (1830-1882), abolicionista negro que libertou mais de 500 escravos no Brasil por via judicial, seráreconhecido como advogado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), após 133 anos de sua morte, em cerimônia na sede da entidade, no dia 3 de novembro, em São Paulo.

Em 1850, Gama tentou frequentar o curso de Direito do Largo do São Francisco, em São Paulo, mas foi impedido por ser negro. Conseguiu ir às aulas como ouvinte e usou o conhecimento adquirido na defesa jurídica de negros escravos como rábula - especialista que podia exercer a advocacia sem ter o título, o que era permitido naquela época.

Gama, apesar de ter nascido livre, após o exílio político de sua mãe, Luiza Mahin, uma africana livre que participou da Revolta dos Malês, foi vendido como escravo pelo pai, um fidalgo branco da burguesia baiana, aos 10 anos, para pagamento de dívida de jogo. Aprendeu a ler e escrever aos 16 anos com um amigo do alferes dono da fazenda em Lorena, no interior de São Paulo, onde passou a viver no período deescravidão. Conseguiu a libertação no ano seguinte, ao fugir por ter conhecimento de sua situação irregular, por ser filho de mãe livre.

Nos tribunais, defendeu, principalmente, escravos negros que podiam pagar pela carta de alforria, mas eram impedidos pelos donos. As causas envolviam também os que entraram em território nacional após a proibição do tráfico negreiro.Ficou famoso por sua postura explícita na frase: "Perante o Direito, é justificável o crime do escravo perpetrado na pessoa do Senhor".

Gama ficou conhecido também como "amigo de todos" porque mantinha em casa uma caixa com moedas para daraos negros em apurosque viessemprocurá-lo.Também ficou conhecido como advogado dos escravos.

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Patrono da cadeira número 15 da Academia Paulista de Letras, Gama também era poeta e jornalista. Fundou o jornalDiabo Coxo,em 1864,inaugurando a chamadaimprensa humorística em São Paulo. Usou pseudônimos comoAfro, Getulino e Barrabás para assinar seus textos.

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