Um aplicativo idealizado para auxiliar na alfabetização de crianças e adolescentes autistas com transtornos de desenvolvimento já está com quase 40 mil downloads em seus registros. A ferramenta adota padrões do programa americano criado pela Universidade da Carolina do Norte. Este programa é mundialmente conhecido como Tratamento e Educação para Autistas e Crianças com Déficits com relação a Comunicação (Teacch).

A ferramenta em si foi desenvolvida em solo brasileiro pela equipe de pesquisa do Instituto Federal de Alagoas, explica Mônica Ximenes, coordenadora do projeto de desenvolvimento do aplicativo.

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Segundo ela, a premissa da estrutura da ABC autismo está embasada em quatro níveis, assim como no programa norte-americano (Teacch).

  • Níveis 1 e 2 correspondem às habilidade concretas. "Sabendo que era não possível romper a barreira dessas ações com atividades convertidas para um aplicativo, resolvemos utilizar os níveis 3 e 4 do Teacch, subdividindo-se novamente em quatro níveis de dificuldade para um aplicativo", explica Mônica;
  • Durante os níveis são apresentados de forma lúdica como um jogo, a criança é exigida em seu raciocínio com atividades de maior complexidade à medida que saem de um nível para outro;
  • Abordando os padrões silábicos. O quarto nível enfoca no letramento com repartição, vocabulário e formação das palavras.

Demonstração do Aplicativo - Vídeo

Mônica relata que a porta de acesso para o autista é essencialmente visual, o que explica o uso de modelos visuais de aprendizagem, mediante sinalização.

Segundo o modelo estruturado da Teacch, a criança observa a tarefa e já inicia a atividade, de forma que o próprio método incentiva a autonomia e independência da mesma, explica.

A validação científica, segundo Mônica, será por meio de tese de mestrado de um participante do projeto.

Sobre o autismo

As diferenças podem variar sendo sutis no nascimento e se tornando visíveis no decorrer dos anos; de maneira geral reconhece-se por distúrbios de comportamento e comunicação, com repetições caraterísticas desse grupo.

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A sensibilidade sensorial - visão, audição, olfato, paladar e tato, são menos ou mais intensificados nessas pessoas, como sons que podem ser considerados irrelevantes para os demais no mesmo ambiente em que os autistas se encontram; para estes o mesmo som de fundo pode ser insuportável, provocando ansiedade, por exemplo.

Outro caso bastante observado nos autistas é a dificuldade de conhecimento corporal (pressupõe percepções espaciais, de afetividade e com o meio).

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