No momento em que uma Comissão Especial da Câmara Federal aprova nova proposta que deverá extinguir o Estatuto do Desarmamento, um relatório do Mapa da Violência mostra a importância da Lei atual, que entrou em vigor em 2003. De acordo com os dados colhidos pelo Mapa, mais de 160 mil vidas foram salvas, a grande maioria – mais de 100 mil – jovens com idade entre 15 e 29 anos.

Seguindo o crescimento no número de mortes de 1993 a 2003, o relatório previu uma quantidade de mortes no Brasil por armas de fogo superior a 70 mil em 2012, ano em que foram disponibilizados dados pelo Ministério da Saúde pela última vez. Porém, o índice foi bastante inferior, tendo chegado a 40 mil mortes, 4 mil a mais do que em 2003, ano em que o Estatuto entrou em vigor.

Para um dos responsáveis pelo relatório, Júlio Jacobo, outras medidas são necessárias além do Estatuto para redução da violência. Como exemplo ele cita reformas na Polícia e no Sistema Carcerário, além do próprio Código Penal. Ainda segundo o pesquisador, a maior parte dos crimes com armas de fogo são cometidos por futilidade, o que torna a violência cotidiana natural. Para ele, a violência em conjunto com as armas forma uma combinação “explosiva”.