Divulgado nesta segunda-feira, 9 de novembro, o estudo "Mapa da Violência 2015 - Homicídio de Mulheres" mostra que 50,3% das mortes violentas de mulheres no Brasil são cometidas inacreditavelmente por seus familiares, sendo que em 33,2% dos casos, o crime é cometido por parceiros ou ex-parceiros.

O sociólogo argentino Julio Jacobo Waiselfisz, que vive no Brasil, realizou o estudo analisando dados oficiais sobre mortes de mulheres entre 1980 e 2013 no Brasil, levando em conta registros de atendimentos médicos.

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De acordo com os dados obtidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e citados pelo estudo, o Brasil vergonhosamente se encontra na quinta posição dos países onde mais mulheres são assassinadas no mundo, a uma média alarmante de 13 mulheres por dia, atrás apenas de El Salvador, Colômbia, Guatemala e Rússia, em um total de 83 nações estudadas.

O último ano levado em conta no estudo foi o ano de 2013, e o maior índice de mortes registrado, 3,6% do total, foi entre mulheres de 18 anos, o que corresponde a 168 mulheres dos 4.762 dos óbitos registrados.

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É a incidência mais alta de assassinatos reconhecida pelo estudo dentro da faixa etária identificada como sendo de maior risco, na qual estão mulheres entre 18 e 30 anos de idade, que responde por 39% do total de homicídios.

Segundo o estudo de Waiselfisz, o perfil dos agressores aponta para a "domesticidade" da violência contra as mulheres. Com base em relatórios do SINAN - Sistema de Informação de Agravos de Notificação, do Ministério da Saúde, que registra os atendimentos do SUS - Sistema Único de Saúde, parentes imediatos, além de parceiros e ex-parceiros, são responsáveis por praticamente sete em cada dez atendimentos médicos, e entre as mulheres mais jovens, maridos e namorados são responsáveis por 50,7% das agressões.

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Os números pelo Brasil

Entre 2003 e 2013, o número de assassinatos femininos cresceu 22%, e houve um aumento desproporcional com relação ao perfil racial das vítimas. O número de mortes de mulheres brancas caiu quase 10% neste período de 10 anos, diminuindo de 1747 para 1576, ao contrário dos casos envolvendo mulheres negras, que teve um crescimento de mais de 54%, passando de 1864 para 2875, o que quer dizer que morrem 66,7% mais mulheres negras do que brancas no Brasil.

Além disso, o estudo constatou que existe uma diferença desproporcional na distribuição geográfica da violência. Um exemplo citado foi Roraima, respondendo por 15,3 homicídios femininos por 100 mil habitantes, o triplo do que é registrado no resto do país. Já Piauí, Santa Catarina e São Paulo foram os estados que menos apresentaram este tipo de violência, com 3 mortes por 100 mil habitantes.

Waiselfisz também notou que o "efeito Maria da Penha", lei que protege e dá assistência às mulheres vítimas de violência, reduziu as taxas de mortalidade somente em 5 Estados brasileiros, que são Rondônia, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo e São Paulo.

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Em todos os outros estados, os números cresceram em ritmos bastante variados.

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