A Receita Federal está investigando como dois navios avaliados em US$ 200 milhões (cerca de R$ 800 milhões) cada, simplesmente desapareceram da costa brasileira sem autorização. As duas embarcações eram alugadas pelo Grupo Schahin, que, por sua vez, é alvo de investigação na Operação Lava Jato.

As embarcações haviam sido bloqueadas através de uma medida cautelar fiscal, a fim de que o Grupo Schahin tivesse algum bem que garantisse o pagamento dos impostos e fraudes que fossem comprovadas durante as investigações.

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Entretanto, empresas internacionais ligadas ao grupo entraram com uma ação de reintegração de posse na Justiça de São Paulo, de forma que o pedido foi deferido em outubro e, com isso, os navios deixaram o país sem autorização da alfândega.

Lavagem de dinheiro

Até o momento, as investigações da Polícia Federal e da Receita Federal concluíram que cerca de 90% dos valores arrecadados com os contratos do Grupo Schahin com a Petrobras foram levados para os países de onde as embarcações eram originárias.

Conclui-se também que as offshores proprietárias dos navios eram as responsáveis pela realização de pagamento de propinas no exterior.

O auditor fiscal da Receita Federal, Roberto Leonel de Oliveira Lima, informou que as investigações estão considerando que a saída dos dois navios-sonda do país podem ter levado outros bens de valores significativos.

Acordo com a Lava Jato

Na segunda-feira, 14, Salim Taufic Schahin, um executivo do Grupo Schahin, assinou um acordo da Polícia Federal a fim de usufruir dos benefícios da delação premiada.

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Salim e mais dez pessoas já foram denunciadas por diversos crimes econômicos, como: gestão fraudulenta, Corrupção ativa e passiva e o crime de lavagem de dinheiro.

Salim declarou que em 2004 foi procurado por José Carlos Bumlai, amigo próximo de Lula, para que conferisse um empréstimo de mais de R$ 12 milhões para o Partido dos Trabalhadores - PT. Salim deixa claro que por mais que Bumlai desse todas as garantias exigidas, passaram-se onze anos e nunca houve qualquer pagamento de uma parcela do empréstimo por parte dele ou diretamente do PT.

A dívida chegou aos R$ 21 milhões e precisou ser negociada diversas vezes.

Em seu depoimento, ele conta que em 2009 soube que poderia operar um navio-sonda da Petrobras e procurou João Vaccari Neto, na época tesoureiro do PT, para obter informações, ocasião em que Vaccari confirmou a informação, mas disse que isso só seria possível se o Grupo Schahin considerasse a dívida de Bumlai quitada.

De tal forma, o acordo foi feito e a dívida de Bumlai foi extinta, sem nunca ter pago uma parcela se quer. O valor devido foi pago por uma negociação de fachada entre Bumlai e os Schahin, de onde o dinheiro, na verdade, saiu da Petrobras.

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