Mel foi encontrada morta no domingo, 3 de janeiro deste 2016, em uma vala localizada às margens da BR-060, no perímetro urbano de Rio Verde, no sudoeste do estado de Goiás.Ela tinha apenas 28 anos e era natural do Tocantins. A Polícia Civil acredita que ela tenha sido assassinada com um corte no pescoço, mas o estado avançado de decomposição da vítima dificulta o exame legista.

A travesti foi descoberta após um mototaxista que passava pela BR-060 estranhar o mau cheiro e acionar as autoridades.

Suspeita-se que Mel já estava morta há 5 dias, daí o odor exalado em função da decomposição.

O fato de o corpo de Mel ter sido encontrado logo no início do ano indica algo que já sabemos: homicídios de travestis acontecem com frequência no país. Discriminadas, elas não encontram outra alternativa para sobreviver e recorrem à prostituição, profissão que aumenta em muito os riscos pelos quais passam.

No Brasil, a média de vida das travestis é de 35 anos de idade.

Além de ter sido vítima de um crime, Mel também é vítima da invisibilização de sua identidade por meio da imprensa, que insiste em tratá-la com pronomes masculinos, como podemos notar pela notícia publicada no G1. Seu nome, Mel, é tratado como um “vulgo” ou um apelido, por não ser aquele que lhe foi designado pelos pais. Também a delegada trata a vítima com o uso desrespeitoso dos pronomes masculinos em desacordo com sua expressão de gênero.

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Em suma, jornalista e representante da polícia continuam a desrespeitar as travestis, a não reconhecê-las, mostrando a permanência da desinformação que simboliza uma falta de preocupação e de empatia com esse grupo social.

Por ser formadora de opinião, a mídia - logo, as pessoas que trabalham para os mais diversos veículos de comunicação - precisa dar um passo adiante no que diz respeito ao tratamento das pessoas transgênero, levando em consideração sua identidade e sua expressão em vez de meramente expô-las como indivíduos "anormais".

As travestis são figuras constantes em noticiários policiais e programas sensacionalistas, tratadas como "curiosidade", ainda hoje. Se os principais veículos (como o próprio G1, da Rede Globo) não se dão ao trabalho de fazer referências minimamente respeitosas a essas pessoas, o senso comum permanecerá guiado por discriminação e descaso.

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