Um mito-mistério nas redes sociais, com direito a depoimentos com apelido de “japonês bonzinho” na Lava Jato, o policial federal Newton Ishii é acusado de vender informações confidenciais para a imprensa.

Ishii virou, no último dia 17, uma atração no plenário da Câmara Federal, onde alguns deputados federais fizeram selfies com o agente, que esquivou de maiores declarações, mas se limitou a dizer “Não, estou aqui como cidadão”, quando questionado se sua presença significava alguma autuação a algum parlamentar, mas o agente está na capital do País para prestigiar a nova diretoria da Federação Nacional dos Policiais Federais.

O agente da PF, já considerado um "star" pela mídia e políticos opositores do governo, já surgiu em gravações da Lava Jato como o “japonês bonzinho” que vende dados secretos da operação para a imprensa e chegou ser expulso da PF em 2003, acusado de corrupção e de integrar uma quadrilha de contrabandistas.

Fotos da Internet destacam a participação do japa em várias das detenções da Lava Jato na superintendência da Polícia Federal, em Curitiba.

Ele é chefe do Núcleo de Operações da PF em Curitiba e tem um passado conturbado.

Policial Federal desde 1976, Ishii foi expulso da PF em 2003, acusado de corrupção e de formar uma quadrilha de contrabandistas; depois foi reintegrado a mando da direção da PF, mas continua respondendo processos criminais, civis e uma sindicância.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, já manifestou preocupação com o fato de que determinados veículos da imprensa conseguem depoimentos secretos de delações premiadas.

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Lava Jato

“Essa informação revela a existência de perigoso canal de vazamento, cuja amplitude não se conhece”, diz o PGR. “Constitui genuíno mistério que um documento que estava guardado em ambiente prisional em Curitiba/PR, com incidência de sigilo, tenha chegado às mãos de um banqueiro privado em São Paulo/SP”.

Em 2015 a PF prometeu investigar o vazamento da delação do ex-diretor da Petrobras, Cerveró. Então Ishii disse a colegas que seu nome estava sendo usado como “cortina de fumaça” para manchar a Operação Lava Jato.

No áudio vazado que resultou na prisão do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) e do banqueiro André Esteves, é citado que um agente da PF vende informações sigilosas. "É o japonês. Se for alguém é o japonês", disse.

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