Na madrugada da última quinta para sexta-feira, Adilio Silva foi espancado até a morte a caminho de sua casa.

Policiais Militares foram acionados por volta de 4 horas da manhã. Encontraram um corpo na rua com sinais de sangramento e agressões. Moradores do local disseram não ter ouvido nada e as câmeras do sistema de monitoramento de uma casa próxima estavam desligadas.

Pessoas próximas a Adilio relataram que ele estaria sendo ameaçado de morte pelos mesmos indivíduos suspeitos de atear fogo e matar seu namorado anos atrás.

Muito conhecido e querido, Adilio trabalhava como garçom num bar em frente à Igreja de São Francisco de Assis, em São João del-Rei, interior de Minas Gerais. Seu assassinato de forma brutal trouxe extrema indignação a todos e ocorreu a menos de um ano de outro crime contra um homossexual em cidadezinha próxima: em julho, Fábio Cunha Moreira foi assassinado a tijoladas em Prados.

Nesses casos em que há morte por agressão, pode-se apontar o ódio como motivação e reforça-se a necessidade de se combater a homofobia e o preconceito contra minorias no Brasil.

Apesar da constante ação dos grupos ativistas, procurando divulgar o problema e informar a sociedade, o país continua entre os que apresentam maior índice de Violência contra a comunidade LGBT no mundo.Apenas neste ano de 2016, a página "Homofobia Mata" contabilizou 72 homicídios.

A discriminação por conta da orientação sexual e da identidade de gênero não conforme é um problema estrutural, não apenas no Brasil, e surge da noção de que essas pessoas escolheram um "comportamento" que vai contra a "natureza" ou a "normalidade".

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Muitos continuam a crer na homossexualidade e na transgeneridade como resultados de um caráter degenerado, mesmo que diversos estudos já tenham comprovado o contrário, principalmente, ao demonstrarem que relações entre indivíduos do mesmo sexo acontecem em diversas outras espécies no reino animal - ou seja, trata-se de algo comum, normal. Contudo, porque a real causa da homossexualidade ainda não foi comprovada, pessoas - dentre elas, políticos influentes - ainda usam esse fato como argumento contra a diversidade sexual.

Enquanto existirem discursos discriminatórios e erroneamente embasados sendo propagados por formadores de opinião, a homofobia não vai cessar. A nós, membros da comunidade LGBT, resta protestar e sempre procurar informar, da melhor forma possível, a todos que nos cercam - e rezar para que, no meio do caminho, não tenha um assassino.

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