Já por cerca de 8 meses estava ocorrendo uma “queda de braço” diplomática entre o Brasil e a nação de Israel. O motivo era que o gigante sul-americano, por meio de sua presidente Dilma Rousseff, negou-se terminantemente em concordar com a indicação dos israelenses para o novo embaixador em Brasília, Dani Dayan.

O imbróglio teve como justificativa, o fato de Dayan ter sido um dos principais líderes do chamado movimento colono judaico e também ser membro do partido ultranacionalista Casa Judaica, ou seja, Dani Dayan incentivou a ocupação, por colonos judeus, de territórios palestinos ocupados quase sempre de modo não amistoso.

Benjamin Netanyahu, que é o 1º ministro de Israel, no último dia 28/03, desistiu da controvérsia acirrada com o Brasil sobre a indicação de Dani como seu embaixador ou representante máximo legal no país, e, por fim, o encaminhou para ocupar o cargo de cônsul-geral de Israel, na cidade de Nova York.

Israel não considerou que perdeu a disputa com o governo brasileiro, antes, demonstrou entusiasmo pela decisão de Netanyahu, pois, até mesmo o próprio Dayan, protagonista da crise diplomática entre os dois países, disse o seguinte em uma conferência contra o movimento internacional Boicote, Desinvestimento e Sanções - BDS: “aqueles que não me queriam em Brasília me terão na capital do mundo, e isso para mim é uma vitória".

Dayan já havia declarado à Rádio do Exército judeu que, por ocasião, da oferta de ser embaixador no Brasil, ele manifestou o desejo de ser cônsul-geral em Nova York.

Michael Oren, que é deputado e ex-embaixador israelense nos EUA, falou, na conferência do BDS, que a ida de Dayan para Nova York foi uma decisão, no mínimo, excelente de Netanyahu. Tal atitude de enaltecimento também foi demonstrada por Tzipi Hotoveli, vice-ministra de Relações Exteriores, que se tornou uma das maiores partidárias de Dayan na inamistosa disputa.

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Tanto é assim que, em 27/03, Hotoveli falou que o fato é "uma importante mensagem ao mundo”, já que "Israel apoia Dayan como um digno e leal representante do Estado".

Por 6 anos que Dayan esteve à frente do Conselho Yesha, o grupo de colonos da Cisjordânia, Dayan também é um colono, pois vive até hoje no assentamento judaico de Maaleh Shomron, o qual faz parte dos territórios palestinos ocupados de modo brusco por Israel.

Se Israel indicará outro embaixador para sua representação em Brasília ou não, é tudo ainda um grande enigma.

Quem sabe Netanyahu resolva ficar por mais tempo com a atual representação de 2º escalão, como um forma de protesto e reflexão para dizer que a crise com Dilma Rousseff ainda tem desdobramentos.

Provavelmente, Dayan ocupe o cargo novo em Nova York na metade deste ano, em substituição a Ido Aharoni, um diplomata veterano de Israel que está por lá desde fevereiro de 2011. Entretanto, o que menos contribui neste momento para a verdadeira paz e segurança no mundo, é a continuidade, por parte de Israel, do envio de colonos judeus aos territórios da Palestina, acirrando as relações entre judeus e palestinos.

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