Ao menos 55 integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e estupradores presos no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus, no Amazonas, foram mortos em uma rebelião que teve início no domingo (1º) e terminou na manhã desta segunda-feira (2).

Havia informações de que teriam morrido cerca de 150 detentos. Na sequência, divulgou-se o número de 60. Mas, segundo Pedro Florêncio, secretário da Administração Penitenciária do Estado, foram 55 mortes confirmadas pelo IML.

As mortes foram causadas por integrantes da Família do Norte (FDN), grupo aliado ao Comando Vermelho (CV) e que domina o tráfico de drogas na região norte do Brasil.

Alguns dos mortos foram degolados e/ou queimados.

Guerra do tráfico

As facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) são os únicos grupos que atuam em todo o Brasil. Grupos criminosos como Família do Norte (FDN) e Amigos dos Amigos (ADA), por exemplo, limitam suas operações aos estados de origem ou a estados próximos.

Justamente essa nacionalização das duas maiores facções criminosas do Brasil colaborou para a onda de violência que tem acometido cadeias do norte e do nordeste brasileiro.

Desde que o PCC foi fundado, em 1993, a relação entre a facção paulista e a facção carioca, criada no final da década de 1970, era de paz. A trégua de mais de 20 anos chegou ao fim justamente por conta da FDN.

O PCC começou a fazer negócios no norte do país e a recrutar “mão-de-obra” local, só que isso desagradou à Família do Norte – liderada pelo traficante José Roberto Fernandes Barbosa, conhecido como Z, Doido, Perturbado, Pertuba e Messi –, que se posicionou contra, mas foi ignorada pelo Primeiro Comando da Capital.

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A FDN controla a “Rota Solimões”, que abrange a tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru. A facção exporta drogas dos países vizinhos e envia remessas à Europa, segundo a Polícia Federal. A presença do PCC e uma suposta perda de território – e lucros – incomodou o grupo criminoso do norte.

Entre junho e julho de 2015, três líderes do PCC foram mortos pela FDN em Manaus. Some isso à união entre CV e FDN e pronto: a guerra entre os dois maiores grupos criminosos do Brasil está feita.

Em outubro passado, 18 detentos foram mortos em presídios de Roraima e Rondônia. Eles eram integrantes do Comando Vermelho e da Família do Norte. As mortes foram executadas por integrantes do PCC.

Todo este cenário de disputa por território, poder e lucros mostra que o Brasil é hoje o que a Colômbia foi em décadas passadas, quando o país vizinho era dominado pelos cartéis de drogas.

O mais famoso destes cartéis era liderado pelo narcotraficante Pablo Escobar, que assassinou rivais, autoridades militares e participou da morte de três candidatos à presidência no país: Carlos Pizarro, Bernardo Jamilo e Luis Carlos Galán.