Uma reunião com quórum altíssimo em uma penitenciária mostra centenas de presos recebendo informes e comemorando a morte de outros detentos ocorridas no Presídio de Alcaçus, no Rio Grande do Norte.

As cenas foram registradas por um aparelho celular e estão circulando nas redes sociais desde esta segunda-feira (16).

No vídeo é possível ouvir o preso que está com a palavra noticiar aos demais como foi o confronto entre os pavilhões. “Eram dois pavilhões contra três. Dois nossos, três desfavorável dos cara ali. Pegamo dois, tá ligado mano. Não pegamo outro porque tinha acabado a munição dos nossos irmãos. Mas daqui um pouco se Deus quiser nóis vai receber uma notícia boa, que é a cadeia de Alcaçuz, Rio Grande do Norte (sic)”, conta.

Ele diz que depois da dita rebelião algumas coisas mudaram na rotina do lugar. “Era opressão, era várias injustiças. Hoje já é nosso, mais da metade dela, entendeu meus parceiro? (sic)”.

“É nóis”, respondem os participantes da reunião, em pleno pátio de uma instituição penitenciária não identificada no vídeo.

A assembleia segue em tom de celebração com gritos de guerra que visam reforçar a união do grupo de criminosos, que pertenceriam ao Primeiro Comando da Capital (PCC), facção que atua sobretudo no Sudeste do Brasil.

O detento que conduz a reunião avisa que soube que foram 33 mortos ligados ao grupo adversário. Ele não cita nomes. Essa é quantidade de vítimas do massacre da Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, em Roraima, ocorrida há 11 dias.

“Chegou aqui a mim, no momento em que eu estava acompanhando.

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Já foram 33 mortos da parte do sindicato. Graças a Deus não perdemos nenhum irmão nosso. Só parabenizar os parceiros. Nóis tá mandando o nosso parabenizamento em cima da caminhada (sic)”.

As saudações em coro são solicitadas: “É pra soltar a voz!”, pede um dos organizadores da reunião. E um deles puxa palavras de ordem: “Em Deus que ele é...”. E a multidão, em coro, responde “Justo!”.

Os gritos, ainda em tom religioso, seguem. “Se Deus é por nós...”, grita um preso para, na sequência, as vozes responderem “quem será contra nós”.

Após o apelo divino, o estímulo à união. O detento brada “Unidos...”. Os presos completam a frase “Venceremos”.

Até o lema dos Três Mosqueteiros, obra de Alexandre Dumas, é entoada. “Um por todos...”, provoca o condutor da pequena massa, para ouvir na sequência “Todos por um”.

O líder ainda grita os números 15.3.3 que indicam as letras “P” (15ª no alfabeto) e os dois “Cs” (consoante que vem em 3º lugar na ordem alfabética). Os presos respondem “PCC”.

E no fim do vídeo, a frase que simboliza a assinatura da facção fecha a reunião: “Paz, Justiça, Liberdade, Igualdade”.

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