Uma vítima de violência sexual que matou o seu agressor com um tiro de espingarda contou, em seu depoimento para a polícia, que faria o Crime de novo, se fosse preciso. A vítima, de 14 anos, cujo nome não foi revelado por motivos óbvios, era abusada sexualmente desde que tinha 12 anos. O acusado de cometer os abusos era o próprio pai da adolescente que foi assassinado pela mesma. O homem tinha 34 anos.

Segundo informações repassadas pelo presidente José Carlos Bezerra, do Conselho Tutelar da cidade, a jovem prestou o seu depoimento para as autoridades um dia após o assassinato. Segundo José Carlos, a jovem estava muito abalada, mas durante o seu depoimento, ela não chorou.

Ainda, de acordo com José Carlos, ela disse que faria tudo de novo, pois ela já era violentada sexualmente pelo pai há mais de 2 anos. Segundo a jovem, se ele tivesse vivo, a qualquer momento ela poderia ser violenta sexualmente por ele.

De acordo com José, a adolescente permaneceu em silêncio quando esteve no Ministério Público acompanhada da sua mãe. Em seguida, ela foi ouvida por uma psicóloga, que deve divulgar um laudo, a partir do qual as autoridades vão decidir se a adolescente será levada para um abrigo ou não.

Entenda o caso

O assassinato aconteceu por volta das 23 horas de terça-feira (07), no Ramal da Cachoeira, na zona rural de Tarauacá, a cerca de 400 quilômetros da capital Rio Branco, no Acre (AC). Na noite do assassinato, o pai e mãe da jovem estavam bebendo. Entretanto, a mãe da jovem foi dormir, e, após alguns minutos, o homem pegou uma faca, foi até o quarto onde a adolescente estava dormindo e a obrigou a manter relações sexuais com ele.

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E caso ela não cedesse, ele mataria toda a sua família.

Quando a mãe da vítima teria ido ao banheiro, ela flagrou o esposo abusando da filha. Ao ser flagrado pela esposa, o acusado disse que ia matar todos para que não houvesse testemunhas da violência sexual. Logo o casal entrou em luta corporal, a adolescente pegou uma espingarda e efetuou um disparo contra o acusado. Ele ainda foi socorrido por vizinhos, mas devido à gravidade dos ferimentos, acabou morrendo.

A polícia foi acionada, e, ao chegar no local, a jovem disse para a polícia que era violentada pelo pai desde que ela tinha 12 anos, e já estava cansada de sofrer ameaças do pai ao lado dos irmãos e da mãe. Conforme o órgão, a menor agiu em legítima defesa e não deve ficar apreendida. O inquérito do caso deve ser encaminhado para a Justiça.