O Metrô e os ônibus de São Paulo sofrem paralisação nesta quarta-feira, dia 15, em protestos contra as reformas da Previdência e Trabalhista propostas pelo governo do presidente Michel Temer (PMDB). Outros protestos ocorrem em algumas cidades do país.

Como parte do Dia Nacional de Paralisações e Greves contra as medidas propostas pelo governo, o metrô da maior cidade brasileira opera parcialmente, enquanto os ônibus sofreram paralisação total na manhã desta quarta. Segundo informações do jornal Folha de S. Paulo, os ônibus devem voltar a circular por volta das 8h da manhã, mas em menor número do que o habitual. O rodízio de carros foi suspenso.

Além da capital paulista, a paralisação afeta também outras cidades da região metropolitana de São Paulo. Manifestantes também bloquearam algumas importantes vias que integram a cidade, como a Dutra, cujos protestos geraram 11 km de lentidão nesta manhã.

A paralisação foi decidida após reunião do Sindicato dos Metroviários de São Paulo na semana passada. O serviço terá funcionamento reduzido ou paralisado durante 24 horas. A exceção é a linha 4-Amarela, que é mantida por uma empresa privada através de parceria com o governo estadual.

Reformas: o que pode mudar para o trabalhador brasileiro

Apresentada por Temer em dezembro de 2016, a Reforma da Previdência estabelece alterações nas regras de aposentadorias para os trabalhadores brasileiros. Caso as mudanças sejam implementadas, a idade mínima para aposentadoria será de 65 anos, com mínimo de 25 anos de contribuição.

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Atualmente, trabalhadores homens podem se aposentar com qualquer idade após terem contribuído para a Previdência por 35 anos. Trabalhadoras mulheres podem pedir o benefício após terem contribuído por 30 anos.

Caso a mudança seja confirmada, o governo também irá alterar as regras para atingir o teto do benefício, que hoje é de R$ 5.531. Para conseguir o valor com a reforma, o trabalhador terá que contribuir por 49 anos. A reforma também deve implementar regras igualitárias para funcionários públicos e privados, além de extinguir aposentadoria especial para professores, que hoje contam com a possibilidade de se aposentar cinco anos mais cedo do que outros trabalhadores.

Outra reforma que também tem gerado protestos é a Trabalhista, que prevê entre outras coisas a regularização da terceirização de funcionários. A medida é criticada por sindicatos e organizações de trabalhadores, que acreditam que as medidas irão diminuir benefícios e remover obrigações legais de empregadores com funcionários.

Outra proposta do governo é a de que contratos temporários sejam estendidos dos atuais 90 dias para 120 dias, com possibilidade de renovação por outros 120 dias. Para sindicatos e representantes de trabalhadores, a medida é vista como uma estratégia para beneficiar empregadores, que poderiam contratar funcionários temporários ou terceirizados para não arcar com encargos trabalhistas vigentes na atual legislação.

Em sua defesa, o governo afirma que as medidas são necessárias para regular a economia e estimular o mercado nacional. O governo também afirma que as regras da CLT - estabelecidas nos anos 1940 - estão obsoletas e precisam ser alteradas para acompanhar mudanças socioeconômicas.