Não é novidade para ninguém a luta diária enfrentada por milhões de brasileiros que dependem do SUS - Sistema Único de Saúde.

O sistema acaba, literalmente, descartanto diversas vidas diariamente, por não oferecer as condições e os recursos mínimos para dar amparo médico e cura aos pacientes com os mais diversos males.

Mas qual não deve ser a revolta ou a sensação das pessoas ao descobrirem que milhões de reais em medicamentos, que poderiam salvar a vida ou amenizar o sofrimento de milhares de pessoas, são descartados como lixo?

Pois foi exatamente isso que um levantamento da CGU - Controladoria-Geral da União (CGU) - feito em abril deste ano, constatou: 11 estados e o Distrito Federal simplesmente jogaram diversos medicamentos no lixo em 2014 e 2015.

O motivo? Data de validade vencida ou mau armazenamento dos produtos. O prejuízo? R$ 16 milhões. Dinheiro oriundo dos impostos que o cidadão paga. Ou seja, em meio a uma crise econômica que toma conta do país e dificulta a vida de todos os cidadãos, R$ 16 milhões foram jogados no lixo, junto com medicamentos que poderiam garantir o tratamento de milhares de pessoas.

Estados descartam milhões de reais em medicação vencida ou mal armazenada

Segundo o relatório da CGU, Santa Catarina, Amapá, Ceará, Paraíba, Distrito Federal, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Bahia foram os estados onde se constatou o desperdício, sendo que, na Bahia, os auditores constataram que entre 2013 e 2014, aproximadamente 200 mil comprimidos para o tratamento de esquizofrenia - que custaram aos cofres públicos algo em torno de R$ 3,5 milhões - foram colocados no lixo.

No Rio de Janeiro, 1.104 frascos de Boceprevir 200 mg, que é usado para tratar pacientes com Hepatite C, foram descartados. De acordo com o SUS, cada frasco deste medicamento custa ao Governo R$ 6.102,98.

Já em Brasília, doses de imunoglobulina humana foram descartados por não terem sido refrigerados na temperatura certa.

A falta de controle e organização são os principais problemas apontados pelos auditores que fizeram o levantamento.

De acordo com Antônio Carlos Bezerra, alguns estados não têm planejamento para a compra dos medicamentos de alto custo. "Quem não tem um planejamento não consegue nem sequer ver os eventuais problemas que podem estar acontecendo, como uma fraude ou o aumento na demanda de uma doença específica", declara o auditor da CGU e hoje secretário federal de Controle Interno.

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