O jornal carioca Extra, ligado ao InfoGlobo e fundado há 19 anos na capital fluminense; anunciou, nesta quarta-feira (16), a criação de uma editoria inusitada em um país que, segundo o próprio diretor de Redação, Octavio Guedes, ‘’não reconhece a guerra’’.

A necessidade do editorial "Guerra" justifica-se pelas proporções que a violência atingiu na capital do estado do Rio de Janeiro. Só neste ano, mais de 100 policiais foram assassinados e passaram a fazer parte de números que se assemelham aos de países em conflitos armados.

Apesar de separados por mais de 10 mil quilômetros, Rio de Janeiro e Síria se aproximam pelo número de vítimas mortas violentamente. No primeiro trimestre de 2017, por homicídios, agressões, roubos e em operações policiais, 1.867 pessoas foram mortas no Rio, apenas 321 vítimas a menos do que registrou o país localizado na Ásia Ocidental no mesmo período.

Para derrubar a ditadura em seu país o povo sírio está em guerra há seis anos.

Já na capital fluminense, facções criminosas e milícias lutam pelo controle das favelas e entram em confronto entre si e também contra as forças policiais do estado.

Os criminosos possuem armamento de guerra com fuzis capazes de derrubar aeronaves e perfurar veículos blindados, além de vasto arsenal de metralhadoras e pistolas. No ano passado, as estatísticas revelaram que ocorreram 11 trocas de tiros por dia, em média, no Rio.

No início deste ano, um estudo sobre mortes violentas, feito pela Secretaria de Segurança Pública, revelou o número de 843 áreas dominadas pelo crime organizado no estado, ou seja, sem a menor interferência da polícia fluminense.

A "falência" das UPPS (Unidade de Polícia Pacificadora) contribuiu para o assustador crescimento da violência nos morros cariocas. No ano de 2013, cinco anos depois de inaugurada a primeira UPP - Favela Santa Marta, em 19 de novembro de 2008 - apenas 13 tiroteios foram registrados em áreas com uma Unidade presente.

No ano passado foram mais de 1.500 confrontos entre policiais, traficantes e milicianos.

Não diferente do Rio, também há muitos tiroteios na Síria. Entretanto, no país em conflito as vítimas são feitas de uma única vez e as dezenas quando, por exemplo, são atingidas por ataques aéreos ou por armas química, como aconteceu em abril deste ano.

Se, por um lado, o que cai do céu sírio é bomba, na capital fluminense o que corta o céu são tiros de fuzis.

A população carioca vive temerosa com medo de balas perdidas, assaltos, sequestros e tiroteios.

Diante dessa terrível realidade, o Extra entendeu que os casos que acontecem no Rio de Janeiro já não condizem com a editoria de Polícia e, então, decidiu pela criação do editorial Guerra, pois não diz respeito apenas à mudança na maneira de escrever as notícias mas, sim, na forma de absorver e retratar o que, de fato, vem acontecendo na capital do estado.

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