O juiz em questão, que está causando grande polêmica, é José Antônio Coitinho, da 2ª Vara, na Comarca de Porto Alegre. Sua decisão foi a favor da continuidade de uma peça teatral intitulada “O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu”, em cartaz na cidade de Porto Alegre, entre os dias 21 e 22 de setembro. Segundo José Antônio, “irá quem quiser ver”.

O juiz fez uma declaração e explica que não pode censurar a peça por causa da liberdade de expressão, que deve ser garantida pelo Poder Judiciário. Censurar qualquer forma de arte é o mesmo que censurar o pensamento, que significa impedir o desenvolvimento da humanidade.

Além disso, o juiz informa que a censura da peça é de 16 anos, portanto, as crianças ainda em desenvolvimento, grande preocupação dos pais cristãos, não poderão assistir.

A peça é de autoria de uma dramaturga escocesa e transgênero e é protagonizada pela atriz e Travesti Renata Carvalho, que interpreta Jesus Cristo. Isso causou grande revolta entre os católicos e cristãos de maneira geral. O juiz afirmou ainda que a liberdade de expressão é garantida a homens, mulheres, transgêneros e travestis, pois todos são iguais.

O advogado que entrou com a ação que pedia a suspensão da peça, Pedro Geraldo Cancian Gomes, afirmou que a peça “não é arte”, que o juiz entendeu como um equívoco do advogado, que vai recorrer da sentença.

Segundo a sentença, a liberdade deve ser preservada, e propõe uma reflexão sobre o preconceito sofrido pelas pessoas devido as suas respectivas opções sexuais. Corporificar a figura de Jesus nos tempos atuais da maneira como foi feito não implica ato ilícito, e não importa se a ideia é de bom gosto ou mal gosto.

Ainda segundo a sentença, um juiz não tem o direito de proibir que as pessoas expressem sua fé ou sua falta da mesma. Com relação a sexualidade dos personagens, ser heterossexual, bissexual, transexual é um fato absolutamente irrelevante no sentido de enobrecer ou empobrecer quem quer que seja representado com um papel teatral. A total liberdade de escolha que as pessoas têm e a condenação das escolhas não é papel da Justiça, que deve zelar por garantir que todos possam fazer as próprias escolhas.

O juiz também afirma que, como peça de teatro e forma de arte, a peça está sujeita a crítica, como toda a arte, mas ela irá ocorrer em uma sala fechada e o ingresso será pago, não é como se fosse passar na televisão aberta, portanto, não irá “atormentar” ou corromper as crianças, até porque a censura é de 16 anos.

E foi assim que a sentença foi divulgada, apesar do conteúdo ser ofensivo aos adeptos do cristianismo, proibir a peça seria censura, o que é contra a lei, conforme o juiz deixou claro.

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