Uma exposição cultural retratando a diversidade no espaço santander Cultural, em Porto Alegre, causou enorme polêmica e acabou sendo cancelada pelo próprio banco neste último final de semana. Sob o nome de “Queermuseu – cartografias da diferença na arte da brasileira”, a mostra acabou irritando membros da sociedade por apresentar o objetivo da valorização da diversidade sexual a partir dos temas LGBT.

Alfredo Volpi e Cândido Portinari, artistas mundialmente conhecidos e de obras apreciadas por distintos grupos, eram alguns dos 85 pintores que tinham trabalhos na exposição. Grupos de oposição aos ideiais de esquerda, como o Movimento Brasil Livre - o MBL, eram os principais críticos à mostra e justificavam sua insatisfação alegando uma possível apologia à zoofilia e à pedofilia.

Neste domingo, o Santander se manifestou oficialmente sobre a Queermuseu e explicou a decisão de fechar as portas para a visitação e, por consequência, cancelar a apresentação faltando ainda pouco menos de um mês para o término previsto - a exposição, inicialmente, iria até o dia 8 de outubro.

"Algumas das obras demonstradas estavam desrespeitando símbolos, pessoas e crenças, o que de maneira alguma está alinhado com a visão que temos de mundo", posicionou-se o banco. "Nós, sinceramente, pedimos desculpas se caso alguma pessoa possa ter se sentido ofendida com alguma obra da exposição", acrescentou.

Uma das principais críticas do MBL era o contato que estava sendo feito entre crianças e as obras da Queermuseu. Na avaliação do grupo, as imagens retratadas não eram agregadoras para a educação e o desenvolvimento como ser humano. Um vídeo do movimento com mais de 400 mil visualizações mostrou integrantes indo até a exposição para fazer comentários depreciativos sobre as obras.

Prefeito de Porto Alegre critica exposição

Nelson Marchezan Júnior (PSDB-RS), prefeito eleito de Porto Alegre nas eleições municipais de 2016, teve um posicionamento semelhante ao do MBL, que presta rotineiramente apoio às decisões do tucano. O político compartilhou em seu Facebook uma nota de esclarecimento do Santander e concordou que a exposição tinha elementos de "zoofilia e pedofilia".

No entanto, horas a seguir, Marchezan resolveu apagar sua postagem.

Por outro lado, algumas organizações de defesa dos movimentos LGBT planejam um ato para esta terça-feira, a partir das 16 horas, em frente ao Santander Cultural, que abrigou toda essa polêmica dos últimos dias. Esses grupos estão condenando uma possível "censura" capitaneada pelo MBL e aprovada pelo próprio banco ao cancelar o evento.

Gaudêncio Fidelis era o curador da mostra e saiu em defesa da exposição mesmo diante de toda essa onda crítica e às acusações de pedofilia e zoofilia.

"Uma exposição queer não busca ditar regra alguma, mas discutir questões referentes ao canône artístico e à diversificação na forma da arte. Para esta curadoria, eu levei aspectos culturais e históricos de cada trabalho", explicou ele.

Nas redes sociais, muitas críticas sobre a exposição levavam em conta o valor investido nela. Fruto da Lei Rouanet, que se vale de recursos públicos, a Queermuseu necessitou de aproximadamente R$ 800 mil para sair do papel.

Há o entendimento de que este valor poderia ter sido utilizado em outros temas como saúde, segurança e educação.

Porém, de acordo com informações divulgadas pelo periódico O Globo, ainda nesta segunda-feira, o Santander pretende devolver esse recurso recebido à Receita Federal. Inaugurada em 14 de agosto, a Queermuseu, fechada, não cumprirá seu prazo marcado para até 8 de outubro.

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