A intolerância religiosa é uma prática terrível, mas ainda bastante comum no Brasil. Apesar disso, trata-se de um crime, que é baseado na Lei do Racismo. E foi com base nessa lei que Daniel Martins Francisco foi detido pela Polícia Civil. Ele é pastor e está causando enorme polêmica nas redes sociais por causa do vídeo em que ele aparece quebrando símbolos e imagens religiosas em um “terreiro”, certamente condenável por ele e seus seguidores. A gravação foi feita no dia 29 de agosto, no bairro Jardim Paraíso, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro.

O fato à polícia através de uma denúncia anônima recebida pela Secretaria Estadual de Direitos Humanos e Políticas para Mulheres e Idosos, que foi recebida na semana passada. A justificativa que “motivou” o pastor a cometer essas atrocidades no vídeo foi de que os santos eram imagens de demônios e outras coisas do gênero, que estavam prejudicando uma família.

Segundo as informações da polícia, todas as esculturas e peças destruídas pelo homem eram pertencentes a uma de suas fiéis, recém-convertida à causa do pastor, mas que antes disso era “filha de santo”.

O pastor, se condenado, pode cumprir uma pena de até quatro anos de reclusão, graças à “limpeza” que executou no terreiro, o que contraria a da Lei do Racismo. Apesar de alegar ser pastor evangélico, o secretário de Direitos Humanos do Rio, Átila Alexandre Nunes, se pronunciou a respeito, e disse que os verdadeiros evangélicos não são de forma alguma intolerantes a esse ponto.

Mas engana-se quem pensa ser este um caso isolado. Desde o início do ano, já foram registradas nada menos que 32 ocorrências do tipo, e isso tem se intensificado nas últimas semanas, pois oito terreiros de umbanda e candomblé foram destruídos na localidade de Nova Iguaçu, Baixada Fluminense.

O absurdo chega a tal ponto que uma mãe de santo foi levada a destruir suas imagens sagradas sob ameaça de traficantes, que usavam armas de fogo para obrigá-la a fazer isso, sem dúvida um desrespeito total aos direitos humanos e uma atitude de total preconceito e intolerância.

O secretário Átila Alexandre ainda disse que quem faz esse tipo de coisa está classificado como fanático, e não como cristão. Para inibir esse tipo horrível de comportamento, os autores desses delitos devem ser capturados e punidos, para servir de exemplo para os próximos potenciais ofensores da lei, que devem saber que quem pratica esse tipo de crime não sairá da situação impune.

O pior de toda essa situação é que na maioria das vezes as vítimas não fazem a denúncia com medo de represálias e isso dificulta enormemente o trabalho da polícia. Mas uma feliz novidade é que será criada no Rio de Janeiro a primeira Delegacia de Polícia de Repressão aos Crimes Raciais e Delitos de Intolerância, chamada Decradi. A principal responsabilidade será a de investigar esse tipo de ataque, que podem ser classificados como ataques em série, com o foco na intolerância religiosa.

O candomblé é uma religião originária da África e tem mais de três milhões de seguidores em todo o mundo, mas, infelizmente, é alvo de preconceitos e crimes raciais.

Veja o vídeo do pastor destruindo as imagens:

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